Menor confessa que matou assistente social
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sexta-feira, 15 de agosto de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Teria sido por causa de R$ 50,00 que a assistente social Vanessa Antunes, 32 anos, foi assassinada a tiros na noite da última quarta-feira, em frente a um colégio público no Jardim Nossa Senhora da Paz, na zona oeste de Londrina. O adolescente J.R.B., de 16 anos, confessou a autoria do crime ontem e declarou à polícia que estava sendo ameaçado de morte por Vanessa por causa de uma dívida de droga.
O adolescente mora há poucos metros do local onde a assistente social foi morta. Em seu depoimento, ele relatou que havia conhecido a vítima há cerca de um mês, no próprio bairro, e na ocasião ela teria lhe oferecido pasta-base de cocaína para consumir. Viciado, ele teria ficado com cinco papelotes e prometeu pagar R$ 50,00 pela droga.
Dois dias antes do crime, Vanessa e ele teriam se encontrado e acertado que naquela noite ele pagaria a dívida. Pouco depois das 21 horas, a assistente social chegou de moto ao local combinado e, antes mesmo dela estacionar, ele já teria atirado, usando uma pistola 9 milímetros. ''Dei dois tiros e nem vi mais nada'', afirmou. Ao todo, foram efetuados nove disparos. Logo em seguida, pegou sua bicicleta e fugiu em direção ao Jardim Nossa Senhora da Paz.
O adolescente garantiu que agiu sozinho e que decidiu matar Vanessa porque ela estaria o ameaçando de morte e também a sua família, caso ele não saldasse a dívida. A arma usada no crime teria sido jogada num matagal nos fundos da favela. Ontem à tarde, foram feitas várias tentativas de encontrar a pistola mas nenhuma obteve êxito. Ele contou que comprou a arma de um caminhoneiro o qual ele não conhecia. J.R.B. também garantiu à polícia que não teve participação na morte do pintor Júlio César Rosa, de 35 anos, assassinado a poucos metros de onde a assistente social foi encontrada, meia hora depois dela ter sido baleada. O delegado do 3º Distrito Policial, Marcelo Sakuma, informou ontem que investiga dois suspeitos pela morte do pintor e o crime, provavelmente, tem ligação com tráfico de drogas.
O delegado responsável pela prisão do adolescente, Pedro Maomé Machado, disse que a versão contada pelo menor será investigada. Segundo ele, testemunhas asseguraram que ele estava acompanhado por outro menor no momento dos disparos. O delegado disse ainda que duas porções de maconha foram encontradas com Vanessa e encaminhada para perícia técnica. O adolescente tem antecedentes criminais por furto, roubo e tentativa de homicídio. Machado representou pela internação do menor, que no meio da tarde foi encaminhado para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi).
Os familiares de Vanessa foram procurados pela reportagem da Folha mas não quiseram fazer comentários. Na edição de ontem da Folha, uma irmã da assistente social comentou que a família estava revoltada e que não entendia o que havia acontecido.


