Menor confessa aborto em hospital de Astorga
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segunda-feira, 24 de julho de 2000
Marta Medeiros De Maringá Especial para a Folha 
Uma adolescente de 15 anos confessou à Polícia Civil de Astorga (40 quilômetros a sudeste de Maringá) ter praticado um aborto na última sexta-feira e jogado o feto no lixo do banheiro do Hospital Regional Cristo Rei. A polícia conseguiu identificar C.P.F. depois de investigar a lista de pessoas atendidas durante aquele dia no hospital. A adolescente mora na zona rural de Astorga, tem um namorado maior de idade e contou que escondia a gravidez da família.
Segundo o delegado José Luiz Mouron, a adolescente contou que ingeriu, na quinta-feira, um medicamento abortivo. Sentindo fortes cólicas, C.P.F. teria ido no dia seguinte para o hospital, acompanhada pela mãe do namorado. Ela afirmou que ninguém sabia de sua gravidez e que nem durante o atendimento no Cristo Rei contou a situação.
No hospital, as atendentes deram uma injeção para acalmar as dores. Em seguida a adolescente teria ido ao banheiro e abortado. C. falou à polícia que, pelas contas, estaria grávida de cinco meses.
C. afirmou que não sabe o nome das pessoas de quem adquiriu o comprimido. Ela não soube informar ao delegado nem o nome do medicamento. Para a polícia, pode haver envolvimento do namorado e da família dele. Mas ainda não há provas que nos levem a alguém capaz de responder pelo crime de aborto previsto no Código Penal, disse o delegado Mouron.
A adolescente está à disposição do Juizado da Infância. O feto aparentava sete meses, mas a polícia aguarda um laudo do Instituto Médico-Legal de Maringá (IML) que vai confirmar também se o aborto foi realmente provocado por uso de medicamento.


