Josoé de CarvalhoMenor armadoA delegada Paula Francinete com o revólver do rapaz de 16 anosA estudante Fabiane Barbosa dos Santos, 21 anos, foi atingida e ferida gravemente por um tiro quando caminhava, acompanhada de colegas, pela rua São Salvador (centro), anteontem à noite. Ela voltava para casa após assistir aulas na Escola Estadual Benjamin Constant. O disparo foi feito pelo menor F.A.P.F., 16 anos, estudante na mesma escola que, armado de um revólver calibre 38, brigava com outros menores.
Foi constatado que ele disparou cinco tiros. A vítima foi atendida pelo Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (Siate) e levada para o Hospital Universitário. Segundo o boletim médico, ela teve os rins e fígado transfixados pelo projétil. Familiares da jovem contaram que ela foi submetida a uma cirurgia que durou cinco horas. No final da tarde de ontem, sua condição de saúde era estável.
Em depoimento à polícia, o menor contou ter comprado o revólver em dezembro do ano passado, por R$ 100, de um homem desconhecido, pois estaria sendo ameaçado de morte há mais de cinco meses. Segundo ele, a família não sabia que ele guardava a arma em casa. A compra foi feita depois que havia sido ferido a tiro por um rapaz que não conhecia, em dezembro. O rapaz estava acusando o menor de bater na namorada dele.
Ainda segundo o depoimento, anteontem à noite, ele estava assistindo aula no Benjamin Constant quando, da rua, atiraram uma pedra que quebrou os vidros da janela e quase acertou sua cabeça. O menor disse ter pensado que fosse a mesma pessoa que lhe acertou o tiro. Ele ajeitou a arma na cintura e saiu da sala de aula. No caminho, teria sido abordado por dois rapazes que tentaram encostá-lo na parede. Para se defender, o acusado disse que disparou a arma.
A irmã de Fabiane, Roseli Barbosa dos Santos, estava revoltada. ‘‘Eu não sei o que dizer quando um menino de 16 anos anda armado na escola e fica disparando tiros a esmo’’, desabafou. Amigos do menor contaram que ele é traumatizado por causa de uma tragédia familiar. ‘‘Ele era calmo, mas depois que viu o pai matar a mãe ficou revoltado’’, contou o amigo. O inquérito deveria ser remetido ontem à Vara da Infância e Juventude, o que não ocorreu por falta de veículo na delegacia.

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