Kraw PenasCrimeLuiz Carlos da Silva com o filho Elinton, que sobreviveu ao acidente; ao lado o Chevette sendo guinchadoTrês rapazes caem do telhado de um frigorífico e dois deles morremO menino Cleverson Rodrigues de Abreu, sete anos, morreu ontem, às 16h30, ao ser atropelado por um carro dirigido por um menor, que estaria embriagado. Cleverson brincava com Elinton da Silva, seis anos, num monte de areia no quintal da casa de seu amigo, no bairro Pinheirinho, em Curitiba. O veículo, que trafegava em alta velocidade, arrancou a cerca da casa e arrastou as crianças por cerca de três metros. Cleverson morreu esmagado entre o carro e a parede de um dos dois cômodos da casa. Elinton ficou sob a cerca e não teve ferimentos graves. Salvo pela cerca, o menino foi liberado ainda ontem do posto de saúde do bairro Sítio Cercado, para o qual havia sido levado. O acusado fugiu a pé, deixando o carro no local.
Segundo uma vizinha, Rosana Alcântara, após o acidente, o pai de Cleverson teria corrido atrás do menor, ameaçando-o com um pedaço de pau. ‘‘Ele achava que o carro tinha atropelado o filho do vizinho. Só depois viu que era o próprio filho’’, contou Rosana. Desesperados, os pais de Cleverson ainda tentaram levar o menino ao Hospital do Trabalhador, no bairro Portão. A criança, no entanto, já estava morta.
Revoltados, os moradores impediram a retirada do carro, um Chevette com placa de São Paulo, pela Polícia Militar antes da chegada da imprensa. Queriam divulgar o acidente. A maior causa da revolta era o fato do acusado ter fugido sem prestar socorro. Uma das razões da fuga do menor, porém, pode ter sido o medo de agressões. Segundo a mãe de Elinton, a servente Andréia da Silva, 25 anos, os moradores teriam linchado o menor, se ele não tivesse fugido. Mesmo sem comprovação de um exame, Andréia afirmou que o menor estava bêbado. Conforme ela, o acusado é conhecido pelos problemas que costuma causar na Vila. Um exemplo, segundo a servente, é o atropelamento de seu cachorro, ocorrido anteontem, que teria sido provocado pelo menor.
O auxiliar de serviços gerais Nivaldo Alcântara, vizinho de Andréia, disse ter ligado à Polícia Militar anteontem pedindo que uma viatura policial fosse ao bairro, depois do atropelamento do cachorro. O auxiliar disse ter previsto uma tragédia. Segundo ele, a resposta do policial que comandava o serviço de emergência (190) foi de que não havia carro disponível e que o menor só poderia ser preso se fosse detido em uma blitz. Para Alcântara, o acidente de ontem podia ter sido evitado. Depois da morte de Cleverson, disse o auxiliar, cerca de 10 viaturas estavam no local. A tenente do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), Margarete Tanck, disse que não podia confirmar ontem se o pedido de Nivaldo havia sido registrado.
O que era para ser mais uma noite de festa tornou-se tragédia para duas famílias de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. Três amigos tomavam cerveja sentados no telhado de um frigorífico abandonado, por volta de 2h30 de ontem, na BR-277, quando as telhas romperam e eles despencaram de uma altura de 20 metros. O choque contra o piso de cimento matou no local Sérgio Luiz Kruiatkowski, 19 anos, e Vanderlei Bueno de Lima, 21 anos. Jurandir Bueno de Lima, 18 anos, irmão de Vanderlei, foi internado em estado grave no Hospital Evangélico.
Moradores da Vila Guarani, em Campo Largo, disseram que os jovens teriam bebido demais e ignorado o perigo, afirmou o inspetor de polícia da cidade, Edvaldo Teixeira. O vigia Antônio Teixeira, da Gráfica Paranaense, situada em frente ao frigorífico abandonado, disse que jovens costumam frequentar o local todos os finais de semana.

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