Menor acusado de causar morte depõe
Paulo Pegoraro
A família do menor E.S., 16 anos, acusado de causar acidente automobilístico no centro de Cascavel que resultou em uma morte, considera, por enquanto, apenas como versão a possibilidade de que ele tenha praticado a chamada roleta da morte motorizada, sustenta que ele não utilizava drogas e desconhece se estava alcoolizado. Estas posições foram transmitidas ontem pelo advogado Adelino Marcon, constituído para a defesa pelo pai de E.S. Carlos Sbaraini Neto, 40 anos, que atua no ramo madeireiro. O empresário foi indiciado em inquérito por homicídio culposo (não intencional), como responsável legal pelo menor.
E.S., que foi hospitalizado na madrugada do acidente, no dia 3, e teve alta segunda-feira, foi levado ontem para a Polícia pela mãe, Claudete Sbaraini, 38 anos, para depoimento. Ele falou pouco, disse que havia bebido menos de duas latas de cerveja, andava em baixa velocidade e não cruzou preferenciais. No dia anterior, seu pai disse não tê-lo autorizado a sair com o carro - um Pálio que atingiu o Uno dirigido por Flávio Rotta, 27 anos, que morreu no local. O Pálio ainda chocou-se contra uma casa. Cláudio Rotta, irmão de Flávio, estava nas imediações do local (esquinas das ruas Minas Gerais e D. Pedro II), e diz ter visto o Pálio em alta velocidade atravessando preferenciais, e a seguir atingir em cheio o Uno.
E.S. estava em companhia de outros dois menores, que sofreram ferimentos menos graves. Uma versão indica que eles teriam saído de um ponto de encontro de jovens - um posto de gasolina - para iniciar o que seria a roleta da morte, ou seja, atravessar preferenciais em alta velocidade com seus carros, para ver se têm sorte de não atingir outros carros. O advogado Adelino Marcon observa que a possibilidade de que isso tivesse sido feito por E.S. é, por enquanto, apenas o que tem sido dito, e aliás, sempre se fala na existência desta prática por aqui, entre os jovens, mas nunca se comprovou.
O advogado acrescenta que há a perícia, há o inquérito, há exames de sangue do menor, e esperamos as conclusões para definir o rumo da defesa. O pai de E.S. responderá por suas responsabilidades, mas considera o ocorrido uma violência resultante de uma fatalidade, que enche de dor a família da vítima e sua própria família, disse Marcon.Denúncia de irmão da vítima sobre roleta da morte é encarada como uma versão do fato pelo advogado de defesa
Edson MazzettoE.S. acompanhado da mãe, Claudete, prestou depoimento e disse que não estava embriagado no dia do acidente





