Londrina

Josoé de CarvalhoHoras de terrorA.I.N., 16 anos, quando prestava depoimento no Fórum de Londrina: ameaças de morte e ferimentos no rosto, nas costas e nas pernasO menor A.I.N., 16 anos, acusa policiais da 10ª Subdivisão Policial de espancamento. Ele levou o caso à promotoria da Vara da Infância e Juventude de Londrina. Segundo ele, o fato ocorreu na semana passada, após ter sido preso sob acusação de ter furtado o carro do investigador Ednilson de Almeida Souza. O carro estava estacionado em frente ao Fórum de Londrina.
De acordo com o menor, ele foi espancado pelo próprio dono do carro e mais dois investigadores identificados apenas por Nelsinho e Estevan. A promotora Solange Vicentin tomou o depoimento do menor e o encaminhou para exames de lesões corporais no Instituto Médico Legal (IML).
No Fórum, ele apresentava ferimentos no rosto, costas e pernas. Solange Vicentin também encaminhou as denúncias do menor ao delegado-chefe da 10ª SDP, Wanderci Corral Fernandes, para os procedimentos legais e, caso comprovada a denúncia, a responsabilização dos policiais. O delegado-chefe da 10ª SDP prometeu abrir inquérito administrativo para apurar as denúncias do espancamento.
O menor contou que foi preso junto com Luis Antônio, conhecido por ‘‘Biscoito’’, que realmente havia furtado a Caravan do policial. O furto aconteceu por volta das 10 horas de quinta-feira; às 13 horas do mesmo dia Biscoito teria ido até a casa do menor para convidá-lo a dar uma volta no veículo.
Os dois foram para Bela Vista do Paraíso. O menor afirmou que, quando foi convidado por Biscoito, não sabia que o carro era furtado. Eles foram presos naquela cidade pela Polícia Militar e trazidos para Londrina pelos detetives acusados do espancamento.
O menor disse que, ao ser preso, levou coronhadas de uma escopeta calibre 12, socos e pontapés dos três policiais. Ele disse que não conseguiu discernir com quem estava a arma. Ele contou ainda que quando voltava para Londrina foi levado a uma mata nas proximidades do distrito da Warta e obrigado a deitar-se, quando um dos policiais teria disparado a escopeta perto de sua cabeça com intenção de amedrontá-lo. Na sequência mandaram ele sair correndo e mais uma vez dispararam a escopeta. ‘‘Eles queriam que eu confessasse o furto da Caravan, que não cometi’’, afirmou A.I.N.
A.I.N. estava acompanhado da mãe Neusa Spiacci quando foi depor na promotoria. A mãe confirma a versão do filho, inclusive, a hora em que Biscoito esteve em sua casa. ‘‘Fizeram um festival de pancadaria com meu filho. Mesmo que ele tivesse participado do furto da Caravan do policial, ninguém tem o direito de usar a força para exigir confissão.’’

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