Alessandro da Silva Santos, 14 anos, começou a trabalhar há um mês na Liga dos Engraxates de Londrina. ‘‘Sempre que passava no calçadão com minha mãe via os garotos trabalhando. Então pedi que me deixasse tentar, pelo menos para eu ter meu próprio dinheiro’’, conta. A mãe de Alessandro concordou, desde que ele não relaxasse nos estudos. ‘‘Estou contente. É divertido, fiz novos amigos e ainda garanto dinheiro para jogar videogame’’, afirma. Ele diz também que fica com todo o dinheiro que ganha.
Caçula de uma família de cinco filhos, Alessandro dos Santos está cursando a 5º série em uma escola do Conjunto Parigot de Souza (zona norte), onde mora. Ele trabalha de manhã e estuda no período da tarde. ‘‘Chego em casa por volta das 17h30 e ainda dá tempo de brincar com os amigos’’, garante. Ele gosta de jogar bola e andar de bicicleta. Não está preocupado com o Dia das Crianças. ‘‘Minha mãe já me deu um tênis novo’’, revela. Seu sonho é ser motorista de ônibus.
Paulo Cesar, que trabalha na Zona Azul: antes ficava ‘zoando’Rubens Saturnino de Oliveira, de 14 anos, ainda não sabe o que vai fazer do futuro. ‘‘Ainda tenho tempo para decidir. Mas a aula que mais gosto é português’’, adianta. Ele trabalha como engraxate há um ano e parte do que ganha fica com a mãe, para ajudar nas despesas da casa. Ele garante que é bom aluno, mas diz que para ter bom rendimento na escola e trabalhar, tem de sacrificar um pouco as diversões. ‘‘Eu gosto de trabalhar. Assim posso comprar minhas coisas; um tênis melhor, uma roupa ...Sempre economizo um pouquinho’’, diz. Rubens de Oliveira mora no Jardim Itapoá (zona ) e está cursando a 8ª série.
A mãe de Rubens é aposentada. ‘‘Não sei se vou ganhar presente do Dia das Crianças. Minha mãe nunca tem dinheiro e eu não sei se vai sobrar algum do meu. Vai depender....’’, comenta. Mas ele não parece preocupado com a questão. Tem dificuldade até de pensar no que gostaria de ganhar. ‘‘Talvez, se tivesse dinheiro suficiente, uma bicicleta nova’’, arrisca.
‘‘Para mim foi importante começar a trabalhar porque eu vivia zoando na rua e não estudava. Minha mãe ficava preocupada. Agora estou bem mais responsável e estou recuperando o tempo perdido’’, conta Paulo Cesar Ribeiro, 15 anos, que trabalha na Zona Azul. A mãe de Paulo Cesar trabalha como doméstica. Atrasado nos estudos, ele está cursando o ‘‘fluxo’’ - sistema de recuperação para quem perdeu muitos anos de escola - e pretende concluir a 8ª série no final do próximo ano. Parte do dinheiro que ganha fica com a mãe, para ajudar nas despesas da casa.
Alessandro: sonho é ser motoristaTodos os dias de manhã o menino C.C.Q., de 13 anos, circula pelo centro da cidade vendendo tapetes feitos pela sua mãe que é costureira. Às 11 horas, pontualmente, ele pega o ônibus de volta para o Jardim Bandeirantes, onde mora. Almoça e vai para a escola onde cursa a 5ª série. O menor começou a trabalhar este ano, seguindo o exemplo de um outro colega de bairro - que também vende tapetes costurados pela própria mãe.
‘‘Eu gosto de trabalhar e, no final do dia minha mãe me dá parte do que consegui ganhar com as vendas. Fico feliz de poder ajudar minha família’’, afirma. Os pais são separados e a mãe sustenta a casa sozinha. Com a venda dos tapetes ele consegue cerca de R$ 30,00 por dia. ‘‘Tenho tempo para quase tudo. Depois da escola sempre brinco com meus amigos antes de jantar e estudar’’, garante. C.C.Q também não tem grandes expectativas quanto ao dia da criança. ‘‘Presente? não sei se vou ganhar. Uma bicicleta seria legal’’, diz.Paulo WolfgangC.C.Q. (13 anos) vende tapetes para ajudar nas despesas de casa e não sabe se vai ganhar presente no Dia das CriançasCélia Baroni

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