Foz do Iguaçu é uma metrópole única no Brasil. Metrópoles existem quando duas ou mais cidades se unem, oferecendo aos moradores ônibus integrados, linhas telefônicas conurbadas e até programas sociais realizados em conjunto. Curitiba e São José dos Pinhais são um exemplo. A diferença é que a metrópole encabeçada por Foz conta com duas cidades estrangeiras: a paraguaia Ciudad del Este e a argentina Puerto Iguazú, totalizando mais de meio milhão de habitantes.
Entre os três municípios, não existem ligações DDI, não há necessidade de apresentar passaporte e é possível circular pelos três países usando apenas um ônibus. Graças a essas vantagens, muitos moradores de Foz vão abastecer seus carros com gasolina paraguaia, enquanto os vizinhos de Ciudad del Este compram produtos de limpeza e alimentos no Brasil (os argentinos, com essa crise toda, acabam levando daqui tudo o que for possível!).
A integração seria um ótimo exemplo de um ‘‘utópico mundo sem fronteiras’’, se não fossem alguns problemas (contrabando, evasão de divisas e o tráfico de drogas são apenas alguns deles). Mas essas são apenas as dificuldades mais conhecidas pela população, tanto local quanto pelos brasileiros em geral. A pior situação, entre as absurdas e silenciosas vivenciadas diariamente, estão os menores de rua perambulando pela tríplice fronteira.
Enquanto na capital do Estado câmeras de TV surpreendem crianças vendendo tangerinas nos semáforos, em Foz do Iguaçu é possível presenciar menores cruzando a Ponte da Amizade (Brasil/Paraguai), oferecendo biscoitos e chocolates ou ainda auxiliando os muambeiros a carregar pacotes de cigarros e CDs piratas, entre outras tantas bugigangas. Nos coletivos, garotos recitam textos decorados de pedintes em típico ‘‘portunhol’’.
O que é visto na fronteira foi comprovado recentemente em uma pesquisa realizada pela Secretaria Municipal da Criança. Entre 466 crianças e adolescentes entrevistados, 374 frequentavam a escola e trabalhavam pelos menos um período durante o dia (106 eram vendedores ambulantes). Os dados dividem opiniões de especialistas, pesquisadores e também dos simples habitantes que se acostumaram com a imagem, gravada na mente dia após dia. Mas o que fazer? Como retirar das ruas meninos que vivem em três países e não têm um lar em nenhum deles?

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