Meninos fogem para ver o mar
Mônica Kaseker
Albari RosaMaria da Luz, mãe de Miguel: trauma pelo desaparecimento de outro filh oOs dois meninos que fugiram de casa, há 19 dias, para conhecer o mar e foram de carona até o Rio de Janeiro podem voltar hoje para Curitiba. A mãe de Miguel da Silva, de 12 anos, Maria da Luz Cabral da Silva, diz que vai matricular o menino numa escola de período integral para evitar que ele fique na rua. Já a mãe de Juliano Ezequiel Aretz, de 13 anos, não sabe o que fazer. Segundo Enia Aretz, ele já havia fugido de casa uma vez.
As duas famílias moram há pouco mais de uma mês na Fazendinha, são vizinhas, mas não se conheciam até o incidente. Miguel e Juliano ficaram amigos em poucos dias e saíram de casa só com a roupa do corpo dizendo que iam engraxar sapatos. Eles foram localizados no último final de semana pela Polícia Militar carioca na praia do Arpoador, em Ipanema, e disseram ter ido de carona até lá. Os garotos pretendiam voltar só depois do carnaval.
Juliano ligava com frequência para a mãe no trabalho, onde havia um rastreador de chamadas, usado para evitar trotes telefônicos, conhecido como Bina. Enia Aretz procurou o Serviço de Investigações sobre Crianças Desaparecidas do Paraná (Sicride) e entregou os números rastreados. O Sicride acionou a polícia do Rio de Janeiro, que assim conseguiu localizar os meninos.
Albari RosaEnia Aretz: Se queriam conhecer o mar, por que não foram aqui perto?A mãe de Miguel, Maria da Silva, está abalada. Há 12 anos, seu segundo filho, Adriano Marques da Silva, na ocasião com oito anos de idade, desapareceu e até hoje não foi encontrado. Ela tem sete filhos e diz que nenhum deles havia fugido de casa antes e acredita que Miguel tenha sido influenciado pelo outro menino. Depois de 19 dias de agonia, Maria já matriculou Miguel numa escola de período integral que existe no bairro. Quando viu o filho no programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo, ela disse ter estranhado a aparência dele, mais magro e queimado de sol. Não quero mais ver esse menino na rua, diz emocionada.
Enia Aretz, 34 anos, conta que Juliano fugiu de casa uma vez porque tinha brigado com o irmão, mas voltou no dia seguinte. Desta vez, segundo ela, cada vez que ele telefonava era um alívio, por saber que o menino estava vivo. Juliano sempre quis conhecer o mar, o tio prometeu levá-lo, mas nunca deu certo. E a mãe dele reclama: se eles queriam conhecer o mar, por que não foram aqui perto? Ela não esconde um certo orgulho pela aventura do filho dizendo que agora ele ficou famoso. Quem sabe ele não acaba indo trabalhar na televisão?, brinca.





