Pela primeira vez na vida, Josiel não teve medo do cassetete. Andou a cavalo, almoçou e jogou futebol. Tudo dentro do Regimento de Polícia Montada da PM, em Curitiba. O menino, de 11 anos, e outros 49 garotos passaram a maior parte do dia de ontem convivendo com quem eles menos gostam: os policiais. O grupo entrou no segundo dia da Colônia de Férias promovida para menores que vivem nas ruas da capital e Região Metropolitana.
O projeto, que tem a participação da Prefeitura, começou na segunda-feira e se estenderá até o dia 7 de janeiro. ‘‘É uma experiência que pode ser prolongada’’, antecipa o tenente Bruno Soares da Silva, que coordena o programa. Quatro quartéis da PM servirão como base de apoio para a Colônia de Férias, que receberá 50 meninos de rua, entre segunda e sábado, das 8 às 19 horas. Os garotos são convidados pelos policiais nas ruas. ‘‘O intuito é fazer com que as crianças percam o medo da polícia’’, diz o tenente.
A chegada dos garotos ao quartel é marcada pela ansiedade. ‘‘Muitos deles chegam nervosos, mas depois vão se adaptando ao ambiente’’, conta o tenente Bruno. João, de 12 anos, não se conformava. Queria voltar para as ruas e trabalhar como guardador de automóveis. ‘‘Não era pra eu ficar aqui, não estou fazendo mal a ninguém, quero cuidar de carros’’, reclamava. Quando andou a cavalo, João deixou a birra de lado por algumas horas e confessou que foi a atividade de que mais gostou no Regimento de Polícia Montada. Josiel da Silva, 11 anos, não tinha do que se queixar. Ao ser convidado, pensou que era mentira. ‘‘Eu tinha medo de polícia. Já me bateram de cassetete nas costas. Não gostava, mas estes policiais estão ficando bons agora’’, diz o menino.
Uma das intenções do projeto é tentar afastar os meninos do consumo de drogas. ‘‘Enquanto eles estão no quartel, não estão cheirando cola’’, afirma o tenente Bruno. ‘‘Vamos dar às crianças uma alternativa saudável e agradável, conquistando sua confiança para que saiam em definitivo das ruas’’, diz a pedagoga da Secretaria Municipal da Criança, Célia Fayzano.
A secretaria e a PM estão aceitando a doação de roupas para os menores que participam do projeto. Depois do encerramento das atividades, os garotos são levados para as casas de apoio da Fundação de Assistência Social (FAS), entregues aos pais ou encaminhadas para os conselhos tutelares dos municípios da Região Metropolitana.

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