A violência vai ser o tema do 5º Encontro Nacional de Meninos e Meninas de Rua que será realizado em novembro e foi lançado ontem em todo o País. Até lá o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua vai discutir a questão da violência doméstica e a exploração do trabalho e da prostituição infantil. Os Estados serão representados pelas crianças com histórias marcantes e maior desenvoltura, reunindo 1,5 mil meninos em Brasília. O encontro nacional é realizado a cada três anos.
Em Curitiba, 40 meninos e meninas de rua participam das discussões toda última sexta-feira do mês. O representante paranaense no encontro será Jonatas Santos, de 16 anos. Ele mora em Ponta Grossa e atua há três anos no Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua.
Segundo a coordenadora da comissão de Curitiba, Maria Aparecida Paulino Viveiros, um dos problemas mais preocupantes na cidade é a prostituição infantil. O movimento acompanha alguns casos na Vila das Torres e informa que o número de crianças exploradas sexualmente está aumentando. Para Maria Aparecida, falta vontade política e seriedade nas propostas para solucionar o problema. Ela admite que em Curitiba existem bons programas nessa área, mas acha que é necessário aprofundar as soluções.
Segundo a Secretaria Municipal da Criança, há cerca de 1.150 meninos e meninas de rua em Curitiba. Dois programas tentam reforçar o vínculo familiar destas crianças e também suas relações com a comunidade e a escola. ‘‘Muitas dessas crianças têm família e é importante trabalhar isso, porque se previne que os irmãos delas também cheguem às ruas’’, diz a diretora do Departamento de Integração Social da Secretaria, Ângela Mendonça.
O programa ‘Formando Cidadão’, da Prefeitura de Curitiba, atende crianças de 7 a 17 anos em quartéis da Polícia Militar e do Exército, através de atividades esportivas, reforço escolar e atendimento à família, com meio salário mínimo ou uma cesta básica. Em todo o Paraná são 220 meninos atendidos e em Curitiba, 105.
O programa ‘Da Rua para a Escola’, parceria entre o governo estadual e as prefeituras, também incentiva as famílias a manterem as crianças frequentando a escola. São 12 mil famílias atendidas no Paraná e 661 em Curitiba.
A Prefeitura de Curitiba também tem os programas SOS Criança e os Conselhos Tutelares para atender os casos de violência. O SOS Criança faz em média 500 atendimentos por mês - quase metade se refere a agressões. A Casa das Meninas tem capacidade para receber 20 crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual. Só este ano, foram 35 meninas atendidas - 13 delas continuam morando na casa e as demais foram reintegradas às famílias sob acompanhamento do Conselho Tutelar.
Paulo Canuto dos Santos, de 7 anos, e mais quatro irmãos estão frequentando a escola e também o projeto Piá, onde passam meio período fazendo atividades de reforço escolar, esportes e lazer e recebem duas refeições. A mãe de Paulo, Silmara Canuto dos Santos, tem sete filhos e diz que sem a cesta básica que recebe todo mês seria difícil alimentar todos eles.

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