Meninos de Foz usaram armas ilegais
Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
As duas armas que provocaram a morte de dois adolescentes em Foz do Iguaçu, anteontem, durante brincadeiras, são ilegais. O delegado Altino Remy Gubert Júnior, responsável pela Delegacia do Adolescente, onde os casos estão sendo apurados, informou que as armas não possuem registros e foram apreendidas para que sejam periciadas e anexadas aos processos.
Os dois casos ocorreram por volta das 17 horas em dois bairros próximos. No primeiro caso, na Vila A (região norte da cidade), Fawes Lenquistt Farhat, de 14 anos, foi morto pelo irmão de 13, F.L.F., com um tiro de revólver calibre 38. Os irmãos pegaram o revólver na gaveta de uma cômoda para brincar. Enquanto manuseavam a arma, ocorreu o disparo acidental, que atingiu Fawes na garganta.
Ele foi atendido 15 minutos depois do disparo pela equipe que faz ronda policial no bairro. De acordo com o delegado, a arma pertencia à mãe dos adolescentes, que até o final da tarde de ontem ainda não havia sido ouvida em depoimento porque estava em estado de choque.
O segundo caso aconteceu no mesmo horário, no Jardim Canadá (também na região norte). Dois primos, ambos de 15 anos, brincavam com uma garrucha calibre 22. C.P.F. matou, também com um disparo acidental, Ailton Ferreira, que foi atingido no coração. Os dois adolescentes mortos foram atendidos no Hospital Costa Cavalcanti e morreram por volta das 18 horas.
C.P.F., que fez o disparo acidental contra o primo, veio de Curitiba para passar alguns dias na casa de uma irmã que mora em Foz. Conforme o delegado Gubert Júnior, C.P.F. declarou que a garrucha pertence a ele, mas não quis informar como a arma foi adquirida. Ele (C.P.F) contou que a casa da irmã já havia sido assaltada e, por isso, disse ter trazido a arma para defesa.
Segundo Gubert Júnior, dependendo do entendimento do juiz da Vara de Infância e Adolescência, os pais do primeiro adolescente morto podem ser indiciados por co-autoria de homicídio culposo, por negligência ao guardar a arma em local não apropriado. A pena varia entre dois e quatro anos de prisão. No segundo caso, ainda é preciso investigar a forma como a arma foi adquirida.





