Kraw PenasRonaldo com a Folha: ‘‘Se puder, pretendo vender jornais a vida inteira’’Assim como os grandes jornaleiros, eles também acordam cedo para vender as primeiras notícias do dia. Têm entre 14 e 16 anos, ganham até R$ 300,00 por mês e consideram a profissão de jornaleiro a melhor maneira de abandonar a situação de pobreza que enfrentam em casa. Hoje, Dia do Jornaleiro, os meninos atendidos pela Casa do pequeno Jornaleiro (Capejo) vão
comemorar a data com muito trabalho, shows e um almoço especial.
Atualmente, a Casa emprega 94 adolescentes que comercializam em média 45 mil jornais por mês. Desde a última semana, a Capejo também está vendendo a Folha, que repassa um dos maiores percentuais por exemplar - 40% - para os pequenos vendedores. Além da Folha, são comercializados nas ruas centrais de Curitiba outros cinco jornais diários do Paraná e uma revista de circulação nacional.
Para o adolescente Ronaldo de Castro Silva, de 14 anos, que vive na periferia de Curitiba com a mãe e o irmão, a oportunidade de trabalhar como jornaleiro transformou sua vida. ‘‘Hoje, ajudo no orçamento de casa, fiz vários amigos e já tenho alguns clientes’’, diz o menino, que trabalha na Capejo há sete meses. Ronaldo, que sai de casa às 5h para começar a vender jornais às 6h30 no Centro, pensa em juntar dinheiro para um dia montar um banca de revistas. ‘‘Se puder, pretendo vender jornais a vida inteira’’, afirma.
Na Casa do Pequeno Jornaleiro, os meninos também recebem orientação pedagógica e aprendem técnicas de venda, incluindo dicas para abordagem e persuasão de clientes. Segundo o diretor da Capejo, Vanderley Antônio Alves, a intenção da Casa é prepará-los para o mercado de trabalho, principalmente para as atividades ligadas ao comércio. Segundo levantamento feito pela entidade, parte dos adolescentes que deixam a Capejo recebem propostas de emprego de seus clientes. ‘‘Temos muitos exemplos de meninos que trabalham em escritórios onde antes vendiam jornais’’, afirma Vanderley. Além do apoio à aprendizagem realizado na escola, a Capejo também oferece cursos profissionalizantes aos pequenos jornaleiros.

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