É comum o pensamento de que o trabalho infantil, um dos problemas sociais mais graves do País, acomete apenas comunidades carentes de um interior distante onde tudo falta. Mas em plena luz do dia, no Calçadão de Londrina, é possível flagrar crianças e adolescentes garimpando sacos de lixo em busca de qualquer coisa que possa ser comercializada e render algum dinheiro. A atividade têm perturbado moradores, lojistas e taxistas da Praça Gabriel Martins, que estão preparando um abaixo-assinado com pedido de providências que será encaminhado para o Ministério Público Federal.
As principais reclamações contra os adolescentes que coletam lixo na praça são a sujeira que eles deixam para trás quando vão embora, as brigas constantes entre os meninos e a utilização de carroças com tração animal. ''A bagunça é constante. Eles geralmente rasgam o saco de lixo, pegam o que presta e deixam o resto jogado no chão'', apontou o porteiro de um prédio que preferiu não se identificar.
O porteiro comentou que moradores e lojistas também têm sua parcela de culpa porque a coleta é feita só no início da noite e os sacos, normalmente, são deixados na calçada no começo da tarde ou até mesmo de manhã. Algumas lojas concordaram em deixar lixo apenas no final da tarde mas a maioria ainda não aderiu à prática. ''Foram feitos vários pedidos e um abaixo-assinado para a prefeitura mas nada ficou resolvido. Agora, estamos fazendo outro que será entregue para o Ministério Público Federal'', afirmou. De acordo com o porteiro, mais de 350 assinaturas já foram coletadas.
Uma moradora que também não se identificou reclamou que ''os meninos tomaram conta da praça''. ''Ligamos várias vezes para o Conselho Tutelar e eles vinham sempre. Mas acho que também desistiram'', comentou. ''Todo dia é esse mesmo inferno. Eles xingam quem passa pela rua, brigam entre eles. Não tem mais condições'', completou um taxista.
Já entre os adolescentes, o problema é encarado com a graça pertinente à idade. ''Nunca ninguém veio encher o nosso saco'', garantiu um ''carrinheiro'' de apenas 13 anos. Um outro, também com 13 anos, disse que eles não deixam sujeira nem fazem bagunça. No grupo que estava ontem à tarde na praça, o mais velho tinha 14 anos e o mais novo 12 anos. Nenhum deles está frequentando as aulas. ''Vou começar só depois do carnaval'', afirmou um menino de 13 anos que ainda não passou da 2 série. Pela pouca idade, os adolescentes não pertencem a nenhuma ONG e disseram que lucram entre R$ 10,00 e R$ 15,00 por dia. O que garimpam é passado para parentes que atuam como atravessadores. Eles repassam para outros que comercializam o lixo reciclável com empresas da região.

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