Menino vive em lar, mas sonha em voltar para junto do pai
Wellington, 12 anos, Edson, 8 e Camila, 7, são exemplos de crianças que não podem ser adotadas. Por razões diferentes estão longe dos pais e são criados no Lar Anália Franco de Londrina sob tutela da Justiça. O primeiro está na entidade há seis anos junto com a irmã de 15. Eles foram para lá quando a mãe morreu. O pai, jardineiro, mora em Londrina, mas o garoto não sabe dizer por que eles estão separados. Normalmente, eles se encontram aos domingos com a esperança de que no final deste ano possa ser para sempre.
Edson parece mais desiludido. A mãe é catadora de papel e o irmão mais velho está casado. Antes de chegar ao Anália Franco ele morava com a família na favela da Paz. Ao contrário de Wellington, ele vê a mãe raramente e diz que seu maior desejo é sair de lá. Camila não lembra há quanto tempo está longe dos pais que cumprem pena na cadeia.
Os três fazem parte de um grupo de 80 crianças que durante o dia vivem com outras 220 atendidas pela creche e à noite são acolhidos nas Casas Lar. São cinco residências coordenadas por casais que cuidam de aproximadamente 12 crianças cada uma.
Apesar dos esforços de voluntários e da comunidade, a presidente do Conselho Tutelar de Londrina, Maria Helena de Souza Costa, acredita que nenhum abrigo substitui um lar. Para ela, crianças que crescem nestas condições têm o desenvolvimento intelectual e emocional prejudicado.
O juiz da Vara da Infância e da Juventude, Dimas Ortêncio de Melo, diz que o Ministério Público está de mãos atadas porque o pátrio poder é dos pais. Somente em situações extremas eles perdem a guarda dos filhos e aí sim podem ser adotados. Se isso não acontecer eles continuarão nas entidades a espera que a família comprove na Justiça condições de criá-la.
Para a psicanalista infantil Sônia Maria Petrocini, o fato dessas crianças serem criadas longe dos pais não quer dizer que serão mais indisciplinadas, tristes ou frágeis do que outras. Suas vidas podem ser mais sofridas, mas à sua maneira também terão recursos para enfrentar a vida. A representação simbólica do pai e da mãe enraizada na memória é o vínculo importante com a origem. É o ponto de partida da história. Segundo ela, muitas crianças e adolescentes que vivem numa família a priori bem-estruturada podem estar abandonados pelos pais, carentes de exemplos e afeto. (B.R.)





