Menino viaja nas asas de um sonho
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de setembro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Certos momentos da vida são inesquecíveis. Certos sonhos realizados não têm preço. Por isso, o garoto Gian Meneghetti Cahun, de 3 anos, provavelmente nunca se esquecerá dos minutos que passou, literalmente, nos ares, voando pelo céu de Londrina.
O desejo de decolar e sentir a liberdade dos pássaros do menino, que quando crescer quer ser piloto de avião, foi realizado pela diretoria do Aeroclube de Londrina depois que tomou conhecimento da história de Gian.
Doente de leucemia, ele está em tratamento no Instituto do Câncer de Londrina (ICL), onde passa o tempo olhando pela janela e tentando avistar os aviões que sobem e descem no aeroporto. ''Quando o Gian interna, já sabemos que ele tem que ficar no único quarto da pediatria que dá vista para o aeroporto'', conta a hematologista Cristina Faune, médica que acompanha o tratamento do menino.
O vôo aconteceu na manhã de ontem. O garoto chegou ao Aeroclube, tímido, desconfiado. Porém, assim que viu as aeronaves estacionadas dentro do hangar, desandou a falar e mostrou um conhecimento sobre aviação que impressiona para a sua idade. Ele sabe distinguir os aviões de propulsão a jato daqueles que voam graças às hélices e identifica as companhias aéreas pelas logomarcas.
''Já faz algum tempo que ele demonstra interesse por aviões. Quando passamos perto do aeroporto de Arapongas, onde moramos, o Gian já se agita'', contou Valdemir Aparecido Cahun, pai do menino.
Enquanto o piloto e instrutor de vôo Cléber Roma preparava a aeronave - um Cessna 150 de fabricação americana -, a ansiedade ia tomando conta da família Cahun. Valdemir, incumbido da missão de levar o filho no colo, também nunca havia voado. Para o piloto, o momento era de alegria por ter a oportunidade de, por meio de sua profissão, proporcionar um momento feliz a uma criança. ''A exemplo do Gian, desde pequeno sou apaixonado por aviões. Por isso, é recompensador colaborar para a realização deste sonho.''
Na hora da decolagem, o menino fez pose de piloto, com olhar sério e compenetrado, e não demonstrou sinais de medo quando o Cessna deixou o chão. Do alto, Gian viu boa parte da cidade, como a vista, de uma só vez, dos três lagos Igapó. Ele constatou ainda que ''lá de muito longe'' é pequeno o hospital onde fica internado. ''Ele nem piscou'', relatou o pai que, ao contrário do filho, admitiu ter sentido medo. Enquanto isso, Gian queria voar outra vez.
Para a mãe, Francislaine Meneghetti Cahun, quaisquer palavras não seriam suficientes para agradecer àqueles que possibilitaram realizar o sonho de seu filho. ''Nunca teríamos condições de proporcionar essa oportunidade a ele'', disse emocionada.
''No tratamento pelo qual o Gian está passando, momentos como esse são fundamentais, pois a criança precisa estar muito bem emocionalmente para aceitar este período. Certamente, esse vôo contribuirá para que ele melhore'', finalizou a médica.


