Menino recebe alta após três anos em UTI
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
''Mãe, ele só come com você.'' Quando a dona de casa Andreza Borges Morandi, 32 anos, ouviu esta frase das enfermeiras do Hospital Infantil, não conseguiu conter a emoção: pela primeira vez ela poderia alimentar o filho Lucas, que vive com as sequelas de uma lesão neurológica e passou seus primeiros três anos de vida na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hsopital Infantil. Na semana passada ele recebeu alta e ontem pela manhã voltou ao hospital para uma consulta de rotina.
Andreza relembrou que aos 38 dias de vida Lucas se afogou com o leite. Depois de um mês internado e o diagnóstico de lesão neurológica, o estado de saúde dele apresentou melhoras e ele recebeu alta. Mas na terceira internação, já com o diagnóstico completo, o quadro se complicou e a internação de Lucas no Hospital Infantil acabou se estendendo por exatos três anos e quatro meses.
''Foi muito choro, muita luta. Mas é como se esse sofrimento todo não tivesse existido. É como se ele estivesse nascendo agora'', resumiu a mãe. ''Está sendo uma experiência maravilhosa curtir ele em casa'', desabafou Andreza, em lágrimas, enquanto agradecia a equipe de enfermagem do Infantil: ''Elas me devolveram a vontade de ser mãe, de lutar por ele, algo que eu achei que não tinha mais''.
Em casa, pais e avó materna se revezam no cuidado com o garoto, que se comportou de maneira bem tranquila na primeira semana fora do hospital, segundo a mãe.
Na avaliação da pediatra e intensivista do Infantil, Tania Anegawa, a saúde de Lucas está ótima e como os pais, especialmente a mãe, são bastante cuidadosos, as únicas recomendações são aspirar a secreção da traqueostomia, cuidar da dieta, que deve ser diferenciada, e não esquecer das medicações para controlar a convulsão.
Ela lembrou que Lucas só pode deixar o hospital porque conseguiu respirar sem ajuda de aparelhos. ''Foi um mês internado sem respirador, duas semanas fora da UTI, para ele receber alta'', citou Tania, reforçando que os pais estão bem treinados para realizar todos os procedimentos necessários em casa.
Para garantir a recuperação rápida, caso necessário, a residência da família, em Rolândia (Norte), foi equipada com um cilindro de oxigênio, ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já o quarto de Lucas foi forrado com PVC para facilitar a limpeza. ''Se ele apresentar sonolência fora do normal ou cianose pode precisar do oxigênio. Mas é preciso tentar tudo antes: banho, inalação, aspiração, ventilação através de reanimador manual. Em último caso, ele vai para o oxigênio'', ensinou a mãe, que nos três anos em que passou praticamente internada com o filho, aprendeu passo a passo cada procedimento médico a ser realizado.
Ela, que não deixou de visitar o filho um dia sequer enquanto ele estava internado, confessou que os primeiros medos de tê-lo em casa já passaram e que a vontade agora é só de curtir o filho. ''Agora é vida praticamente normal'', afirma a mãe, assinalando que Lucas passará por sessões de fisioterapia em casa e, em alguns meses, deverá frequentar a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Rolândia, onde tem vaga garantida.
Pedro Henrique
Lucas Morandi é a segunda criança com mais tempo de internação no HI que termina com a vitória da vida. Em fevereiro de 2008, a família de Pedro Henrique Carvalho Biscaia passou por emoção semelhante. Pedrinho, como era carinhosamente chamado no hospital, deixou o Infantil depois de quatro anos e meio vividos praticamente na UTI. Hoje, com pouco mais de seis anos, ele vive com os pais e dois irmãos na Zona Norte de Londrina.


