Menino perdido pega ônibus e volta para casa
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sexta-feira, 29 de outubro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Minutos de descuido que se transformaram em três horas de aflição. No início da semana, A dona de casa Ruth Cardoso dos Santos estava com o filho de seis anos, Allan Demetrius, em uma loja de calçados na Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba. Deixou que o menino fosse até um bebedouro tomar água e quando foi procurá-lo para ir embora ele havia desaparecido.
Depois de procurar em frente à loja e comércio vizinho, sem sucesso, bateu o desespero: Ruth achou que Allan havia sido sequestrado. ''Tinha um senhor conversando com ele'', contou a mãe. ''Mas eu nem dei bola porque achei uma coisa normal'', acrescentou. Por achar uma situação natural, a mãe não deu importância e nem sequer prestou atenção nas características do homem.
Se fosse mesmo um sequestrador, Ruth não poderia ajudar, nem mesmo, na descrição. Mas, felizmente, tudo não passou de um grande susto. Allan perdeu a mãe de vista, achou que havia ficado sozinho na loja e resolveu voltar para casa.
Por orientação da mãe, o menino sabia quais ônibus deveria pegar para voltar para casa. E foi o que ele fez. Tomou dois ônibus depois de pedir para o cobrador deixá-lo entrar sem pagar e foi para casa, em um bairro bem distante do centro. Ruth conta que, por coincidência, foi naquele dia mesmo que explicou a Allan em qual tubo deveria entrar para pegar o ônibus em direção de casa, qual o terminal que deveria descer e, de lá, a linha que o levaria para casa. ''Parece que eu já estava prevendo'', disse a mãe.
Segundo Ruth, as três horas em que Allan ficou desaparecido a sensação foi um misto de medo, angústia, arrependimento e culpa. ''Mas ao mesmo tempo alguma coisa me dizia que eu ia achá-lo. Acho que é coisa de mãe'', revelou. Ela, que garantiu ser sempre cuidadosa com o filho caçula, afirma que vai redobrar a atenção nas próximas vezes em que sair com ele.
A delegada do Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas (Sicride), Márcia Tavares dos Santos, disse que vai tomar o depoimento dos pais de Allan na próxima semana, já que segundo o relato do menino, o cobrador e motorista do ônibus, em nenhum momento, perguntaram se ele estava perdido. O cobrador teria apenas perguntado sobre sua idade e se ele tinha dinheiro para pagar a passagem.
Segundo Márcia, no trabalho educativo que realiza junto a escolas, o Sicride orienta as crianças que, ao se perderem, procurem um policial fardado (militar ou guarda municipal), além das dicas básicas como não conversar com estranhos e não aceitar balas.


