Menino morre vítima da rivalidade entre gangues
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sexta-feira, 14 de julho de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Tá lá o corpo estendido no chão, como na canção de João Bosco e Aldir Blanc. Em vez de homem, um garoto. Além da reza, a praga de alguém. E a impunidade servindo de amém. ''Ouvi os tiros, fui ver, tava o meu filho estirado no chão.'' Foi assim que Ronildo Ribeiro Matias soube da morte de Dener Washigton Cardoso Matias, de apenas 10 anos, na manhã de ontem. O garoto foi mais uma vítima inocente da disputa entre gangues em Londrina.
Segundo moradores do bairro, dois homens chegaram à rua Leste, no Jardim Leste-Oeste (Zona Oeste), em uma moto Honda Titan preta. Enquanto um deles permaneceu na moto, outro teria descido e começado a atirar em Lincoln do Nascimento, 24 anos, que estava a pelo menos 30 metros de distância. Ele foi atingido nas nádegas e passa bem, mas um dos disparos atingiu a cabeça do menino, que brincava de soltar pipa. Denis chegou a ser atendido pelo Siate, mas não resistiu.
Nascimento é morador das redondezas, e responde a processo por homicídio. ''O que podemos informar, por enquanto, é que temos um suspeito e estamos muito perto de chegar ao outro nome'', informou o delegado Jayme José de Souza Filho, que investiga o caso. Na tarde de ontem ele ouviu várias testemunhas.
Revoltados, os moradores do Jardim Leste-Oeste prometeram vingança. ''Eles vêm aqui dar tiro como se a gente fosse animal. Mas isso não vai ficar assim. A partir de agora vou ser uma sombra na vida do assassino do meu filho'', declarou o pai do garoto. Chorando desesperadamente, a mãe Leni Cardoso de Azevedo chegou a se debruçar sobre as marcas de sangue de Denis que restaram na calçada. O casal tem outras seis filhas.
Segundo Rosa Ribeiro, tia de Denis, a rixa entre o bairro e o Jardim Nossa Senhora da Paz começou há seis anos. ''Eles matam por diversão, não estão nem aí se é criança ou não. Já perdi outros dois parentes aqui, sendo uma sobrinha de 13 anos'', lamentou, acrescentando que as ruas próximas à sua casa são constantemente alvo de tiros. ''Além disso, eles ameaçam a gente nos ônibus, nas ruas, e a gente vive inseguro, apavorado'', desabafou. Rosa chegou a tirar a filha mais velha da escola com medo da violência.
O relações públicas do 5º Batalhão da Policía Militar (BPM), tenente Ricardo Eguedis, afirmou que Polícia Militar vem atuando na região com trabalhos preventivos, rondas ostensivas e serviço de inteligência. ''A população também tem colaborado, com denúncias anônimas pelo 181. Deslocamos constantemente uma viatura para aquele setor, mas ali é uma área que oferece facilidades de fuga, como por exemplo mato alto.
Ele informou ainda que o comando do 5º BPM está preparando um documento com sugestões para a melhoria das condições de urbanização nos dois bairros, para facilitar a passagem de viaturas. ''Há uma escadaria que impede a passagem de carros. Também estamos pedindo que a iluminação seja intensificada''.
A morte do garoto Dener ocorreu no dia seguinte em que foi proposta na Câmara de Vereadores a desapropriação das casas da rua Pantanal para tentar reduzir a violência no local. Enquanto a situação não se resolve, centenas de cidadãos ainda vão se resignar a olhar o corpo no chão e fechar a janela de frente para o crime. (Colaborou Silvana Leão)


