Curitiba

Marcelo AlmeidaEscondeJuarez Costa Curta (de camisa azul), sócio-proprietário da marmoraria, trancou o portão após o acidenteUma pessoa morreu e outra ficou ferida após acidente de trabalho ocorrido ontem, por volta do meio-dia, na Marmoraria Gramic, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Reginaldo Prestes dos Santos, 15 anos, foi esmagado por chapas de mármore quando ia levar parte do material para polimento. Ele era ajudado por José Luiz Oliveira, 28 anos, que teve uma perna fraturada. O caso vai ser investigado pela Subdelegacia da Polícia Civil do distrito de Alto Maracanã.
O sócio-proprietário da Marmoraria Gramic, Juarez Costa Curta, mandou trancar o portão da empresa para não atender aos repórteres da Folha. Através da grade, a reportagem perguntou a ele se não queria dar a sua versão do acidente. A resposta: ‘‘Estou c... e andando para a polícia e nada vou dizer a vocês’’. Informado sobre o comportamento do empresário, o delegado Sebastião dos Santos Neto avisou: ‘‘Tomara que ele tenha assinado a carteira de trabalho do garoto, para evitar maiores problemas’’.
Costa havia dito a um agente da subdelegacia que Santos estaria em ‘‘contrato de experiência’’. Ele relatou ainda que o adolescente teria sido levado pelo tio Carlos Prestes para trabalhar na Marmoraria Gramic. Comunicada do acidente, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) anunciou a realização de uma vistoria na empresa. ‘‘Nossa equipe vai até lá na próxima semana para fazer uma fiscalização geral’’, disse o chefe do serviço de segurança e saúde do trabalhador, Valdir Silva.
A Marmoraria Gramic está localizada na Marginal Paraguai, número 185, Jardim Rio Verde, uma rua paralela à Estrada da Ribeira. O local é utilizado para o comércio de mármore e granito. ‘‘As condições de segurança costumam ser precárias onde a mãode-obra não é qualificada’’, observou Silva. O chefe do serviço de segurança e saúde do trabalhador da DRT lamenta o fato de contar com apenas 25 fiscais para atuar em todo o Paraná, o que limita as inspeções. ‘‘Tornou-se comum faltar dinheiro para uma equipe viajar e confirmar uma denúncia de irregularidade, o que só permite fiscalização na medida do possível’’, disse Silva.

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