Menino morre e irmão fica intoxicado
Rodrigo Vaz, de nove anos, foi encontrado morto na madrugada de ontem no banheiro de sua casa, no bairro Água Verde, em Curitiba. Seu irmão Daniel, de 12 anos, estava desmaiado no corredor do apartamento, localizado no 13º andar do edifício Manhattan. Ele foi intoxicado por monóxido de carbono, recebeu atendimento no Hospital Pequeno Príncipe e não corre risco de vida. Ao que tudo indica, os meninos foram vítimas de um vazamento de gás do aquecedor instalado no banheiro.
Este é o segundo acidente com monóxido de carbono registrado em Curitiba nas últimas três semanas e recoloca a questão da responsabilidade pela fiscalização dos aquecedores a gás na cidade. O Corpo de Bombeiros informa que verifica apenas as condições externas aos apartamentos, como depósitos de botijões, garagens e corredores. A Prefeitura diz que concede o alvará de ocupação das moradias depois da vistoria dos Bombeiros.
A madrasta de Rodrigo e Daniel, Lílian Vaz, saiu de casa às 23 horas para buscar o pai dos meninos, Ozias Vaz, no trabalho. Eles voltaram em torno da uma hora da madrugada e encontraram as crianças caídas. A mãe dos meninos, Leoni dos Santos, estava inconsolável ontem pela manhã, no Instituto Médico Legal. Foi uma tragédia e não sei explicar o que aconteceu. Eles moravam há cerca de quatro meses no apartamento e não sei se tinham verificado este aquecedor, disse Leoni que cuida de outros dois filhos do casal, separado há quatro anos.
Há 19 dias, Vagner Santos foi encontrado morto e mais duas pessoas ficaram intoxicadas em Curitiba. As intoxicações por monóxido de carbono acontecem quando há problema na combustão, causando maior liberação do gás que não é sentido pela vítima, já que não tem cheiro e nem cor.O monóxido se espalha rapidamente pelo ar e toma o lugar do oxigênio do sangue. A pessoa perde os movimentos do corpo e morre., explica Ernani Facin Viana, perito do IML.
De acordo com os registros do Corpo de Bombeiros, as ocorrências envolvendo gás crescem em até 100% no inverno, quando os ambientes ficam mais fechados, o que prejudica a ventilação. Em maio do ano passado, foram registradas 115 ocorrências, contra uma média de 50 em outros meses.
O capitão Antônio César Prado, do Corpo de Bombeiros, diz que os órgão verifica a central de gás, as escadas e os extintores dos prédios. Os apartamentos não são vistoriados, explica. A prefeitura, responsável pela liberação do habite-se para construções, informou que o síndico do prédio é o responsável pela manutenção da sua ordem.
Um vendedor de aquecedores à gás, entrevistado pela Folha, disse que, pelas normas, a instalação em ambientes fechados, como banheiros, não é aconselhável, mas também não é proibida. Se o comprador insistir, é feita a instalação depois de uma assinatura de um termo de responsabilidade. Se ocorrer alguma coisa, a culpa cai sobre o vendedor, por isso tomamos cuidado, conta o vendedor.





