A criança de dois anos e sete meses, morta ao ser espancada pelo pai, Ivan Ramos de Macedo, em Londrina, já havia sido retirada da família pelo Conselho Tutelar, no ano passado. Integrantes do conselho começaram a acompanhar a família no início de 2011 após receber denúncias de vizinhos sobre as agressões físicas que seriam praticadas por Macedo contra a esposa. O corpo do menino foi sepultado ontem de manhã, no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte). Também ontem de manhã, populares colocaram fogo na casa onde o acusado morava. (leia mais nesta página).
A morte do menino aconteceu anteontem. De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), a vítima apresentava espancamento generalizado, edema cerebral, hematomas e sinais de asfixia. O pai confessou o espancamento à polícia, e disse que teria usado um cinto.
''Os vizinhos relataram que a casa onde eles moravam, no Jardim Ana Terra (Zona Norte), vivia fechada e com frequência ouvia-se gritos da esposa de Ivan e choro do filho'', explicou a presidente do Conselho Tutelar-Norte de Londrina, Leoni Alves Garcia. ''Passamos a fazer o acompanhamento social da família e, após uma das agressões, a Jaqueline (Moreira, mulher de Macedo) fez uma denúncia à Delegacia da Mulher e foi encaminhada com o filho a um abrigo de proteção. Porém, ela permaneceu apenas alguns dias no local e pediu para voltar para a casa de sua família'', acrescentou.
De acordo com Leoni, o Conselho Tutelar voltar a receber denúncias de mais agressões feitas por vizinhos e funcionários da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro. ''Procuramos a Jaqueline e encontramos ela com o filho na rua. A criança estava suja e molhada. Devido à condição de negligência por parte dos pais, encaminhamos o menino à Casa de Passagem, que é um abrigo destinado a crianças em situação de risco'', explicou.
Ainda segundo a conselheira, no meio do ano passado, a criança permaneceu algumas semanas no abrigo. ''Foi assinado um laudo autorizando a criança a voltar para os pais, pois ela havia percebido vínculos afetivos na família e que os pais não representariam risco para o menino'', afirmou Leoni, dizendo que o órgão foi contra a decisão. Isso porque os conselheiros perceberam que o pai do menino precisava de tratamento psquiátrico. ''O pai da criança apresentava falas desconexas, então pedimos que fosse feito um laudo psicológico, mas antes disso o menino foi devolvido aos pais'', enfatizou Leoni.
Embora não tenha dados estatísticos, a conselheira revela que diariamente são registradas denúncias de violência contra crianças. Ela destacou que as denúncias devem ser feitas pelo telefone 125. ''Esse número fica a disposição 24 horas por dia e a pessoa não precisa se identificar.''

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