A Polícia Civil de Francisco Beltrão instaurou inquérito para apurar a denúncia de erro médico envolvendo um menino de três anos. Os pais de Maicon, Maura e Valdir Pires prestaram depoimento da delegacia na noite de anteontem e denunciaram que o filho teve a ponta de quatro dedos da mão esquerda amputados no Hospital Regional de Cascavel.
Maicon, que era uma criança normal, também está cego, mudo e sem coordenação motora. No Hospital Regional de Cascavel ele ficou internado por 17 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e nove dias na enfermaria, após sofrer uma cirurgia cardíaca.
Maura Pires disse à polícia que Maicon apresentou sintomas de febre e dor de garganta no dia 29 de julho e foi levado a uma clínica infantil em Francisco Beltrão. Na clínica, a criança foi medicada, mas não apresentou melhoras.
No dia 30, os pais o levaram a um Posto de Saúde onde foi diagnosticado o quadro de pneumonia. Maicon foi imediatamente internado na Policlínica São Vicente de Paula. De acordo com Maura, o filho ficou internado até o dia 3 de agosto, quando foi transferido para o Hospital Regional em Cascavel. Segundo informações dos médicos aos pais, Maicon apresentou um quadro de derrame no pericárdio e na pleura, e infecção no tórax. No Hospital Regional, Maicon foi submetido a uma cirurgia no peito.
O pai Valdir Pires disse que o menino era sadio. ‘‘Tenho várias testemunhas que comprovam isso’’, ressaltou. Pires contou que acompanhou Maicon até a entrada do centro cirúrgico. ‘‘Ele ainda pediu um caminhãozinho e biscoito de chocolate’’, lembrou.
Segundo Pires, na sala de cirurgia, Maicon teve um ataque cardíaco e tomou vários choques para voltar a respirar. A criança também teve convulsões.
A mãe diz que Maicon voltou para o quarto com a mão enfaixada e quando pôde ver os dedos do menino, pediu para saber o que havia acontecido. Segundo ela, nenhum médico quis esclarecer o motivo do menino estar sem as pontas de quatro dedos da mão esquerda.
Apenas as enfermeiras contaram que os dedos foram amputados porque uma máquina teria dado problema e ‘‘queimado’’ a ponta dos dedos. Maicon teve alta no dia 29 de agosto. Valdir e Maura dizem que voltaram para a casa com a criança debilitada, sem movimentar pernas e braços, cega e muda. ‘‘Às vezes ele reconhece a gente, dá uma risadinha e chora’’, disse mãe.
O delegado chefe da 19ª SDP de Francisco Beltrão, Valmir Sóccio, disse que foi instaurado um inquérito policial. O menino fez exames no IML (Instituto Médico-Legal). O diretor clínico do Hospital Regional de Cascavel, Ruben Albuquerque de Oliveira, não foi encontrado ontem pela reportagem. Segundo a secretária, Elisa Janusso, ele estava viajando e deveria retornar na noite de ontem.

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