Menino é levado pelas águas e some
O Corpo de Bombeiros de São José dos Pinhais passou o dia inteiro de ontem, ao longo do Rio Belém, em busca do corpo de um menino de 5 anos, que teria sido levado pela enxurrada ocorrida na segunda-feira, em Curitiba. José Alexandre Ferreira dos Santos brincava dentro de um bueiro na Avenida Wenceslau Braz, no bairro Parolim, quando a chuva começou. O menino desapareceu por volta das 18 horas e até o início da noite de ontem não havia sido encontrado. Em paralelo às buscas da equipe dos bombeiros, o pai, o pedreiro José Reinaldo, 28 anos, tentava encontrar o filho.
A família e os vizinhos esperavam aflitos o resultado das buscas e tentavam encontrar uma explicação para o caso. Os moradores estavam revoltados com o descaso da Prefeitura Municipal de Curitiba em deixar um bueiro aberto na calçada da avenida. Segundo a prefeitura, o bueiro, chamado tecnicamente de poço de visita de galerias pluviais, estava aberto porque vândalos roubaram a tampa que o fecha.
O irmão do menino, Fernando, de 8 anos, também queria achar José Alexandre de qualquer jeito. Chegou até a entrar no bueiro onde o irmão desapareceu. Quando soube disso, a tia dos garotos, Rosilei Aparecida Ferreira dos Santos, 23 anos, ficou desesperada e quis entrar no buraco para ir atrás de Fernando. Os moradores a seguraram para tentar acalmá-la. José Alexandre era o único irmão de Fernando. Os dois eram criados pelo pai e o avô, Vicente, 49 anos.
Perigo - Junto com o amigo Rogério da Cruz, 8 anos, José Alexandre sempre brincava dentro do bueiro sem se dar conta do perigo. Os pais não sabiam da brincadeira rotineira. Segundo a vizinha Sirley Pereira da Cruz, 36 anos, as crianças montaram até uma cabana dentro do bueiro. Os meninos costumavam entrar no buraco para sair numa valeta do outro lado da avenida.
Rogério, ainda assustado e com medo, afirmou ontem que havia dito para José Alexandre que os dois fossem embora quando a chuva começou. Segundo ele, José Alexandre disse que ficaria. Falei para me dar a mão, mas ele não quis, contou.
Depois disso, Rogério decidiu avisar o avô do menino, Vicente, e o irmão, Fernando. Rogério e Fernando foram até o bueiro e chamaram por José Alexandre, mas escutaram a voz dele muito baixa. Quando o pai, José Reinaldo, chegou em casa, ninguém teve coragem de falar o que havia acontecido. Assim que José Reinaldo descobriu a verdade, chamou o Corpo de Bombeiros. Já eram 23 horas. As buscas começaram muito tarde e, como já estava muito escuro, foram só até a meia-noite. Por volta das 5 horas de ontem, a equipe reiniciou o trabalho.Mauro FrassonInconformado com o desaparecimento do irmão, Fernando, chegou a entrar no bueiro durante as buscasAnna Camanducaia





