Menino de dois anos morre carbonizado dentro de casa
Lino Ramos,
De Londrina
Especial para a Folha
Uma vela acesa deixada num pequeno cômodo da Rua Lauro Dantas Farias 249, Jardim Santa Fé (zona leste de Londrina), provocou o incêndio que carbonizou o corpo de Guilherme Henrique Silva Faria Alves, dois anos. O menino estava sozinho em casa na madrugada de quarta-feira. A mãe havia saído de casa atrás do ex-marido, Cristiano Faria Alves, levando a filha Monique, de sete meses. A casa não tinha água ou luz elétrica. O corpo foi sepultado ontem à tarde no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte)
O tenente Ezequias de Paula Natal disse que o Corpo de Bombeiros chegou ao Santa Fé por volta da 1h45 com duas guarnições e uma ambulância do Siate, quando populares tentavam apagar o fogo. Com a informação de que havia uma criança no cômodo de 8 metros quadrados, 11 bombeiros usaram 1.500 litros de água para controlar o fogo mas não puderam evitar a tragédia. A criança estava totalmente carbonizada sobre a cama, lamentou o tenente.
O fogo destruiu a cama, guarda-roupa, utensílios domésticos e até um botijão de gás, que não explodiu. O chefe do Setor de Engenharia Legal do Instituto de Criminalística, Luciano Bucharles, disse que no momento da tragédia a temperatura no interior do barraco deve ter sido de aproximadamente 350 graus. Familiares do pai do garoto disseram que sua mãe, a diarista Andréia de Paula Silva, 19 anos, deixou Guilherme sozinho em casa para sair atrás do ex-marido, Cristiano Faria Alves, de quem estava separada há um ano. Ela deixou a criança sozinha para ir atrás dele. O Guilherme estava morando com a gente mas ontem ela ficou com o menino para fazer sua pesagem e deixou acontecer uma coisa dessas, disse o tio da vítima, Osnir Alves, 24 anos.
Andréia de Paula Silva alegou que havia brigado com o ex-marido e depois de ter procurado a Polícia voltou a discutir com Cristiano. Ele não estava dando a mínima. Eu deixei a vela acesa em cima da estante e saí, comentou. A diarista não sabe quanto tempo ficou longe de casa e quando voltou a tragédia já havia acontecido.
O irmão de Cristiano alega que o pai do menino havia comprado um terreno para construir uma casa para os filhos. No mesmo quintal do barraco existe uma casa onde mora Joaquim Fialo Rodrigues, o O Peixinho, que estava dormindo no momento do incêndio. Só acordei quando os bombeiros quebraram a porta da minha casa, comentou.
O delegado Luiz Carlos Azevedo disse que Andréia Silva pode ser indiciada por homicídio culposo, cuja pena varia de um a três anos de prisão.





