Dorico da Silva



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ViolênciaCorpo de Anderson (foto de baixo) é colocado no camburão do IML: traumatismo craniano e orelha decepadaO menor Anderson Leite, 14 anos, foi encontrado morto ontem pela manhã em uma casa na rua Rui Virmond Carnascialli, 217, no Jardim Leonor, zona oeste de Londrina. Ele recebeu várias pauladas na cabeça, desferidas pelo vendedor José Inácio Gomes, 32 anos, conhecido por ‘Feitosa’. Além de traumatismo craniano, o menor teve parte da orelha decepada. O corpo foi levado ao Instituto Médico Legal, onde foi submetido a exames de necrópsia. Segundo técnicos do IML, o crime deve ter ocorrido no final da tarde de anteontem.
Além de Feitosa, a Polícia Civil também prendeu em flagrante o vendedor Francisco Palácio de Oliveira, 24 anos, conhecido como Erivan, que participou do crime. Ele confessou ter segurado o menor para que Feitosa pudesse desferir os golpes com um pedaço de caibro. Ambos trabalhavam como vendedores de panelas e foram presos em Jataizinho, para onde foram, ontem pela manhã, comercializar os produtos. Eles pegavam as mercadorias na fábrica de confecções e alumínio Fortalondre, em Londrina.
Segundo o proprietário da Fortalondre, Adriano Palácio Bezerra, o menor Anderson Leite esteve na fábrica há cinco dias pedindo emprego. Ele disse que decidiu não contratá-lo depois de um contato com seu ex-patrão, em Araraquara (SP). ‘‘Ele me informou que o menor não era bom vendedor’’, disse Bezerra.
Mesmo sem ter conseguido o emprego, Anderson Leite foi morar junto com dois vendedores da fábrica: Erivan e outro rapaz identificado apenas por Daniel. A casa é alugada pelo dono da fábrica, que informou ser parente de Erivan e de Daniel. Ele não soube informar o nome completo de Daniel.
A polícia foi informada sobre o crime pelo dono da fábrica de alumínio. ‘‘O Erivan contou para um outro funcionário meu, que foi levá-lo até Jataizinho, que o rapaz estava morto’’, contou Adriano Bezerra. Ele suspeitava que o crime tivesse sido praticado por Feitosa, que tem passagens pela polícia por tentativa de homicídio e por Erivan. ‘‘Eles são violentos’’, afirmou Bezerra.
Peritos do IML encontraram marcas de sangue na porta e no forro da casa. Chegou-se a cogitar que houve corte da jugular. Técnicos do IML suspeitavam também que houve estrangulamento, pelas marcas no pescoço do menor e de hemorragia interna devido ao inchaço da região abdominal.
Ontem, no início da tarde, antes de prestar depoimento ao delegado Rubens Batistute, que estava de plantão na 10ª Subdivisão Policial de Londrina, os acusados deram entrevista à Folha. Francisco de Oliveira, o Erivan, disse que veio de Pernambuco há 25 dias para trabalhar como vendedor. Ele alegou que tomou ‘‘umas cervejas’’ com Feitosa e foi convidado para fazer um serviço. ‘‘Eu não estou acostumado a beber e fiquei tonto’’, afirmou, tentando justificar porque participou do crime. ‘‘Eu segurei nas pernas dele e ele (Feitosa) matou.’’
Eirvan disse que não conhecia a vítima. Já Feitosa confirmou que participou do crime, mas preferiu não falar sobre o motivo. Afirmou apenas que ‘‘não tinha bronca contra Anderson’’. Até o final da tarde de ontem a polícia não sabia onde localizar os familiares do menor assassinado.

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