Sarandi - A Polícia de Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá) não sabe mais o que fazer para ajudar o adolescente C.D., 13 anos, que nos últimos seis anos foi detido 100 vezes por vários delitos, principalmente furtos, ameaça e danos ao patrimônio. O menino já foi encaminhado para várias instituições de atendimento a menores infratores de Sarandi e Maringá, mas fugiu de todas e atualmente está na cadeia local. Na tentativa de recuperar C.D., a polícia de Sarandi pediu a transferência dele para o Educandário São Francisco, em Curitiba.
''Ele está detido aqui na delegacia porque na rua ele corre risco de vida e também representa um risco à população'', diz o delegado de Sarandi, José Maurício de Lima. Filho de pais desajustados - o pai é alcóolatra e ex-presidiário e a mãe está presa por homicídio - C.D., diz que prefere ficar na rua a ir para a casa. Para a Folha, o menino afirmou que já apanhou muito do pai e que na rua é acostumado a roubar para comer e se vestir.
Franzino, C.D. evita responder algumas perguntas mas diz que é viciado em drogas e que começou a cheirar solvente com sete anos. Sobre uma briga que acabou se envolvendo com rapazes mais velhos e que, quase lhe custou a vida, C.D. diz que os agressores ''eram folgados'' e que todos inclusive ele estavam embriagados. Na briga, C.D., foi atingido por golpes de faca no abdômem e ficou quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Metropolitano. A marca da facada na barriga não é a única. Ele tem várias marcas pelo corpo das brigas que se envolveu nos períodos que foi colocado em liberdade.
Conforme o delegado, C.D. já passou por avaliações de psicólogos. ''Foi comprovado inclusive que ele sofre de esquizofrenia'', disse Lima. Desde a sua última detenção, no dia 11 deste mês, o delegado vem tentanto uma nova alternativa de recuperação de C.D. Conforme o delegado, o Ministério Público foi informado sobre os delitos cometidos pelo menino e as apreensões feitas nos últimos anos. ''O próprio MP está ciente das dificuldades de tratamento para C.D. e deve pedir a transferência dele para Curitiba'', justificou Lima.
Segundo ele, C.D. não pode ser encaminhado para uma instituição de regime aberto porque sempre acaba fugindo e voltando para as ruas. O Educandário São Francisco, de acordo com Lima, seria a instituição adequada porque o internamento é compulsório. ''Lá ele vai receber todo tipo de assistência, inclusive psicológica'', acrescenta. A transferência do garoto para Curitiba, entretanto, depende da autorização da Justiça que está em férias forenses durante o mês de julho.

mockup