Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A Polícia Civil de Foz do Iguaçu encontrou, na madrugada de ontem, o corpo do menino Ricardo Augusto da Silva, de 10 anos, assassinado há 10 dias. O adolescente José Bitencourtt, de 18 anos, amigo da família de Ricardo desde a infância, foi preso e, segundo a polícia, confessou o crime.
O corpo do menino foi encontrado à 1 hora de ontem, em um riacho nos fundos de uma chácara no bairro Três Bandeiras (região norte da cidade), em estado de decomposição. Tinha um galho de árvore, de aproximadamente 50 centímetros, introduzido até a metade no ânus. Os policiais chegaram ao local com a ajuda de um amigo de Bittencourtt, a quem ele teria mostrado o corpo e contado o crime.
Segundo a polícia, Bitencourtt disse em seu depoimento que convidou Ricardo para dormir em sua casa no último dia 6. No caminho, os dois teriam decidido pegar o atalho pela chácara, onde o corpo foi encontrado. Conforme Bitencourtt teria relatado, quando eles chegaram próximo ao riacho, ofereceu R$ 5,00 para que Ricardo mantivesse atos libidinosos com ele. O menino teria aceitado a proposta. Bitencourtt contou ainda que, enquanto mantinham o ato, Ricardo teria caído, batendo com a cabeça em um tronco, provocando sangramento no nariz. O menino teria ficado desacordado e, após a tentativa frustada de reanimá-lo, Bitencourtt decidiu afundá-lo no riacho.
De acordo com a polícia, Ricardo teve perfuração intestinal e há suspeitas de espancamento e estupro. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) deve sair em dez dias. O irmão do menino, Aldecir Pereira da Silva, de 21 anos, contou que perguntou para Bitencourtt por duas vezes se sabia onde estava Ricardo. ‘‘Domingo nós jogamos bola juntos e ele estava normal. Parecia que não tinha acontecido nada’’, lembra.
Aldecir contou que eles se conheciam há mais de oito anos e sempre estavam juntos. Aldecir disse que Ricardo era um menino tranquilo, educado e gostava muito de jogar bola. Ele afirmou que no sábado, dia 6, o menino pediu para ir na casa do ‘‘Zezão’’, como Bitencourtt era chamado entre eles, e o irmão mais velho não autorizou. ‘‘Ele foi escondido’’. A família procurou por Ricardo e denunciou seu desaparecimento à polícia. Mas só ficou sabendo do desfecho da história ontem, por uma reportagem de televisão. Ricardo cursava o segundo ano da escola primária. O corpo foi sepultado ontem à tarde, no Cemitério Ecumênico Parque Nacional.
A mãe do menino, Maria Helena Francisca da Silva, de 47 anos, disse que Ricardo era muito alegre. ‘‘Essa foi a segunda vez que ele sumiu com o Zezão. Na primeira vez, ele (Bitencourtt) disse que não estava com o Ricardo e encontramos o menino brincando na casa dele.Rapaz de 18 anos confessou o crime cometido há 10 anos; durante este período, conviveu com familiares do garoto
Robson Meireles/Gazeta do IguaçuDEPOIMENTOJosé Bitencourtt confessou à polícia ter matado o meninoSílvio VeraREVOLTAA mãe, Maria Helena da Silva: ‘‘Meu filho era alegre’’

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