Um aluno da Escola Oficina (zona norte de Londrina) ficou ferido, ontem pela manhã, ao cair do telhado do prédio, de aproximadamente quatro metros, da instituição. P.H.V, 10 anos, sofreu uma contusão no ombro direito e escoreações. Socorrido pelo Siate, ele foi encaminhado para o Hospital Universitário (HU) de Londrina e liberado à tarde.
''Não estou sabendo'', foi a resposta da coordenadora geral da Escola, Nanci Fátima Camargo, ao ser questionada, no próprio local, sobre o incidente. Ela minimizou o fato, alegando que ''a todo instante tem aluno caindo, se arranhando, se cortando''. Na semana passada, a Folha publicou a foto de um aluno correndo em cima do telhado, a exemplo de outros colegas. Desde que novos funcionários assumiram a direção da escola, no último dia 15, alunos ficaram revoltados e estariam promovendo badernas e vandalismo.
A Escola Oficina, que era mantida pela Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon) e atendia crianças e adolescentes em situação de risco, foi encampada pelo município após a descoberta de supostas irregularidades administrativas. Vinte e cinco funcionários estão sendo afastados. Pais de alunos que trabalhavam em programas de reciclagem de lixo, nas dependências da escola, foram retirados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e encaminhados para projetos em bairros próximos a suas residências.
Ontem, colegas de P.H.V. disseram que o aluno estava soltando pipa em cima do telhado. ''Eu falei para ele sair da beira, que ia acabar caindo'', contou um adolescente, depois de admitir que também tem se exposto ao perigo, brincando sobre o prédio. Um ex-caseiro da escola, que estava no local e testemunhou a queda, afirmou que não há funcionários cuidando dos alunos. ''Dez anos trabalhei aqui e nunca vi Siate entrando na escola para socorrer aluno acidentado. Ninguém está nem aí'', reclamou.
A coordenadora declarou que ''o espaço da escola é muito grande e os funcionários não estão dando conta de vigiar os alunos''. Ela afirmou ainda que a prioridade, no momento, é a limpeza da escola. ''Mas eles não estão entregues à própria sorte, estamos fazendo o possível. É que são muito rebeldes, peraltas, vivem subindo nas árvores e quebrando vidros''. Os portões da escola permanecem abertos e não há vigias.
''Toda hora, crianças caem e são socorridas em várias escolas. É preciso ver em que circunstâncias esse acidente (na Escola Oficina) ocorreu'', minimizou a secretária municipal de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti. A secretária acredita que, com o retorno das oficinas na próxima segunda-feira, os alunos ficarão ocupados e serão melhor atendidos pelos educadores.

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