Um garoto de dez anos caiu do teleférico de Matinhos anteontem à tarde, quando funcionários faziam testes de manutenção para a reabertura do equipamento. Odimar Casas de Carvalho caiu de uma altura de dez metros, quando brincava no local acompanhado de dois amigos. Ele fraturou o fêmur, foi trazido para Curitiba e internado no hospital Cajuru, onde passa bem.
O teleférico está interditado desde 9 janeiro de 95, quando um acidente durante à noite acabou provocando a morte de três pessoas. Outro acidente já havia ferido quatro pessoas uma semana antes.
O proprietário, David Silvério, pretende pedir à Justiça, a reabertura do teleférico dentro de 15 dias. Silvério diz que não tem nenhuma responsabilidade sobre o acidente com o menino. Segundo ele, os garotos subiram a pé o morro da Cruz, onde fica o teleférico. O empresário diz que eles foram avisados pelos funcionários para que se mantivessem distantes, mas Odimar teria ignorado o aviso, dependurando-se numa das cadeiras e caindo. ‘‘Não podemos responder pelo filho dos outros’’, justifica.
A versão do dono do teleférico não convenceu a polícial local, que promete apurar as responsabilidades no caso. O inquérito que levanta as causas das mortes do ano passado está parado há dois meses no Fórum de Guaratuba, desde que a polícia pediu prorrogação do prazo para continuar a investigação. Além de Silvério, foram indiciados na época, os funcionários Sérgio Martins, Cláudio José da Silva, Ademir Boese e o engenheiro mecânico João Antonio Moreno.
Silvério nega que as mortes anteriores aconteceram por negligência ou falta de segurança e atribui os acidentes a sabotagem. ‘‘Uma barra guia que segura os cabos foi arrancada e um volante afrouxado’’, insiste ele. No mês passado, a Justiça autorizou o início dos testes de manutenção. O ponto crítico onde as três pessoas morreram, que tinha 14 metros de altura, foi rebaixado para sete metros.

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