Menino baleado presta depoimento
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quarta-feira, 03 de setembro de 2003
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O delegado-operacional da 10 Subdivisão da Polícia Civil (SDP) de Londrina, Márcio Vinícius Amaro, concluiu ontem à tarde a documentação necessária para o indiciamento do adolescente M.H.G.R., de 15 anos. Junto à confissão de M., que assumiu anteontem a autoria do disparo que matou o funcionário da fiação de seda Bratac, Damião dos Santos Ramos, 27, no jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste), no dia 25 de agosto, foi anexado também o depoimento de E.G.L., 9 anos. No dia da troca de tiros, que envolveu pessoas da Favela Pantanal e jardim Nossa Senhora da Paz, ele foi ferido por uma bala no braço. O material foi entregue ao delegado do 3º Distrito Policial (DP), Manuel Martins Pelisson, responsável pelo inquérito dos fatos.
De acordo com o delegado-operacional, E. será encaminhado hoje ao Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, onde passará por exame de corpo de delito. Amaro desconfia, porém, que o tiro tenha sido disparado pela mesma arma que matou o funcionário, uma pistola argentina calibre 45. ''Se isso se confirmar, M. pode ser indiciado também por tentativa de homicídio'', afirmou.
A mãe de E., 42 anos, contou que mora no local desde que tinha seis anos e que nunca passou por momentos tão difíceis por causa da violência. ''O jeito é entregar na mão de Deus, pois não tenho para onde ir se sair de lá'', contou, dizendo que cuida de outras duas crianças, de 2 e 6 anos. De acordo com ela, o tiroteio da semana passada deixou no filho outros tipos de marcas além do ferimento. ''Desde que isso aconteceu, toda noite ele senta na cama dormindo e chora, falando que estão atirando'', disse. Com os dedos da mão inchados, E. lembrou que estava indo a um bar, comprar doce, quando foi atingido. ''Na hora não senti nada, minha tia que reparou. Só quando passa remédio agora que arde muito'', reclamou.


