Atingindo principalmente as crianças, a meningite volta a chamar a atenção em Curitiba. Só nos meses de janeiro e fevereiro, foram mais de 240 casos registrados na cidade. Em março, 175 foram acrescentados à lista da Secretaria Municipal da Saúde, que garante que não se trata de um surto e sim de uma doença típica de mudança de estação.
‘‘É uma doença que acontece no mundo inteiro’’, explica Eliane Maluf, médica epidemiologista da Secretaria Municipal da Saúde. ‘‘Os números podem ser considerados normais até agora’’, diz. De acordo com a médica, em todo o ano de 98 foram registrados 750 casos no município. O que mesmo assim não chegou a configurar uma epidemia. ‘‘Existe um instrumento de estatística através do qual fazemos um monitoramento semanal da doença’’, esclarece Eliane. ‘‘Tomando como base uma média histórica, calculamos um limite médio esperado. E por enquanto está tudo dentro da normalidade’’.
Só no Hospital Pequeno Príncipe, foram registrados no mês passado, 111 casos, sendo 87 deles virais e o restante de origem bacteriana. Destes, apenas um doente teve a meningite meningocócica, considerada como a mais grave de todas. ‘‘O que a gente está tendo mesmo’’, conta o diretor clínico do hospital, Donizetti Gianberardino, ‘‘é uma certa pressão. Como a meningite assusta por causa dos sintomas, ela exige um pernoite para que possamos verificar qual é o tipo. E daí surge a idéia de que se tem um surto’’, diz. Mas o maior número de casos registrados no hospital é o de meningite viral, que não chega a ter maiores consequências, segundo o Gianberardino.
Com sintomas como a rigidez na nuca, febre, dor de cabeça e vômito, a doença é transmitida por via respiratória, fator que deve contribuir ainda mais para que o número de casos registrados tenha uma elevação nos próximos meses. De acordo com a secretaria da saúde, a convivência em ambientes pequenos e fechados, por causa das temperaturas mais baixas, faz com que os casos comecem a se concentrar neste período. Segundo Eliane, a preocupação só deve existir se o caso for de meningite meningocócica, que costumam ter um aumento no período do inverno. ‘‘Mas a viral, responsável pelos números de agora é considerada como benigna tanto nas crianças como nos adultos. Ela tem tratamento rápido e não deixa sequelas, uma vez que é detectada e tratada precocemente’’, conclui.(V.A.)

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