Curitiba

Marcelo AlmeidaPreocupaçãoÂngela Ribeiro: 166 dos 304 casos registrados este ano na Região Metropolitana não tiveram o tipo especificadoA ocorrência de duas mortes por meningite do tipo viral, num período de 18 dias, está preocupando a população do bairro Campo Alto, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. A situação é atípica porque a meningite transmitida por vírus dificilmente mata. Mas as autoridades de saúde do município dizem que pelo menos um dos óbitos deve ter sido causado por complicações secundárias, o que tornaria a situação menos preocupante.
As mortes atingiram duas pessoas da mesma família: uma mulher de 49 anos, que morreu dia 29 de maio, e uma sobrinha dela, de 32 anos de idade, morta na última quarta-feira. Nos 29 municípios da Região Metropolitana, de janeiro até agora já foram registrados 304 casos de meningite, com 36 mortes - a grande maioria por meningites bacterianas.
A chefe da Divisão de Vigilância Sanitária e Epidemiológica de Colombo, Nalinez Zanon, disse que os dois casos de morte no município estão sendo estudados para confirmação do tipo de meningite. Segundo ela, a primeira vítima era hipertensa e isso deve ter contribuído para o óbito.
A notícia das mortes causou medo e preocupação no bairro onde moravam as vítimas e na escola onde estudam parentes delas. A Vigilância Epidemiológica tenta esclarecer a população sobre os cuidados a tomar para evitar a disseminação da doença. Ao contrário do que ocorre com as meningites bacterianas (como a meningocócica), o bloqueio das virais não utiliza vacinas ou medicamentos.
São recomendadas medidas como evitar lugares fechados, manter os ambientes arejados e procurar o serviço de saúde mais próximo a qualquer sintoma - os principais, para qualquer tipo de meningite, são febre alta, dor de cabeça forte, vômito, rigidez no pescoço e manchas vermelhas na pele.
Os casos de Colombo reforçam a atenção para o problema da meningite durante os meses de frio. Segundo a diretora da Regional Metropolitana da Secretaria Estadual da Saúde, Ângela Ribeiro, cerca de 40% da média de 3 mil casos de meningite registrados anualmente no Paraná ocorrem nos meses de julho e agosto.
Este ano, a doença assustou em alguns municípios, que registraram número alto de casos no verão. Em Curitiba, foram 12 casos em janeiro, contra um no mesmo mês em 1996.
Segundo Angela Ribeiro, a maior preocupação é com o fato de que, dos 304 casos totais já registrados na Região Metropolitana de Curitiba este ano, 166 não tiveram o tipo especificado. Como cada tipo de meningite requer uma conduta diferente no tratamento e ações de bloqueio, a falta de especificação pode contribuir para a disseminação da doença.
Para melhorar o diagnóstico, a Secretaria da Saúde promoveu ontem uma reciclagem para cerca de 120 profissionais da Região Metropolitana de Curitiba. Eles relembraram técnicas de coleta, armazenamento e transporte do líquor (líquido da medula espinhal coletado para exames) e outras condutas necessárias.

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