Dimitri do Valle
De Curitiba
A Secretaria municipal da Saúde confirmou ontem que três crianças contraíram meningite meningocócica no conjunto Itatiaia, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A doença causou a morte do garoto Marcos Antônio de Almeida Júnior, de 1 ano e 4 meses de idade. Ele morreu no dia 5 deste mês. Os outros dois casos foram detectados nos dias 27 de outubro e 12 de novembro.
De acordo com Karen Regina Luhn, diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, as três crianças não foram vítimas de uma possível epidemia na região. ‘‘Provavelmente foi uma coincidência’’, justificou. Karen relatou que as famílias não se conheciam e as crianças infectadas não frequentavam a mesma creche.
A cozinheira Márcia Regina de Almeida, 25 anos, tia de Marcos Antônio de Almeida Júnior, recordou que o sobrinho começou a apresentar febre de 39 graus na noite de 4 de novembro. O garoto foi levado para o posto de saúde do bairro. Foi medicado contra uma possível dor de ouvido e mandado para casa. Como ele não melhorou, os pais o levaram de novo para o posto na manhã do dia seguinte.
Marcos apresentava duas manchas roxas no corpo e a médica que o atendeu suspeitou de infecção sanguínea. O garoto foi internado no Hospital Pequeno Príncipe, mas não sobreviveu. A cozinheira contou que a bactéria da meningite meningocócica agiu rápido no organismo do garoto. ‘‘Ele recebeu todo atendimento, mas foi tudo muito rápido’’, disse. A diretoria do Centro de Epidemiologia, Karen Luhn, diz que há casos em que a meningite é tão forte que os antibióticos receitados para o paciente não têm tempo de fazer efeito.
Na creche onde garoto ficava, as cerca de 20 crianças receberam medicação preventiva. Nenhuma apresentou os sintomas da meningite, como febre e vômito. O apartamento da família também passou por um processo de desbacterização.
Já a menina Gabriela Marques Lima, de 3 anos, ficou sete dias internada no Pequeno Príncipe para se recuperar da doença. Gabriela apresentava febre, vômitos e dor de cabeça no dia 12 deste mês e foi internada 24 horas depois.
A mãe de Gabriela, a dona de casa Márcia Aparecida Coimbra Moura, 22 anos, ressaltou que a filha foi salva porque o diagnóstico da meningite foi imediato. ‘‘Não ficou nenhuma sequela porque o médico já foi dando remédio para ela’’, assinalou a dona de casa. O filho de oito meses, os pais e o irmão de Márcia foram medicados. Eles não contraíram a doença.
A diretora do Centro de Epidemiologia, Karen Luhn, explicou que a bactéria da meningite meningocócia pode ter sido passada para as crianças por adultos. Eles seriam os portadores assintomáticos que carregam a bactéria sem desenvolver os sintomas da doença. A meningite pode ser contraída através da tosse, de espirros ou por meio da saliva espelida durante uma conversa. Em ambientes fechados, a doença se propaga com mais facilidade. A bactéria atinge as meninges, que são as membranas que protegem o cérebro. Se o tratamento não for imediato, pode levar à morte.
Curitiba já registrou este ano, 80 casos de meningite, um a mais do que nos 12 meses de 1998.Doença foi detectada em outras duas crianças, e todas moram no mesmo conjunto. Saúde descarta a possibilidade de epidemia
Kraw PenasSOB RISCOMárcia Moura, mãe de Gabriela, diz que a filha foi salva porque o diagnóstico da meningite foi imediato. O segundo filho, os pais e o irmão de Márcia também foram medicados

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