Meningite faz vítima em Londrina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de setembro de 2000
Silvana Leão De Londrina 
Uma garota de dois anos e meio morreu na última segunda-feira, em Londrina, vítima de meningite pneumocócica. Ana Caroline Onório Amâncio começou a ter febre na quinta-feira pela manhã, e na madrugada seguinte já entrou em coma. Outros casos foram registrados nos hospitais, mas a diretoria de Epidemiologia e Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde nega que a cidade esteja sob um surto da doença. Do início do ano até o último dia 13 foram registrados 98 casos, com quatro óbitos.
O pai de Ana Caroline, Edilson Amâncio, contou que a filha acordou passando bem na quinta-feira. Brincou a manhã inteira e por volta das 11 horas a mãe percebeu que ela estava com febre. Ao meio-dia, a febre tinha aumentado muito e a garota foi levada para o Hospital Infantil. Lá foram pedidos exames de sangue e urina e a paciente foi liberada. No final da tarde, quando a mãe voltou ao hospital com a criança para pegar os resultados dos exames, já recebeu o diagnóstico.
A família então resolveu procurar o pediatra que atendia Ana Caroline. Este confirmou os sintomas e a encaminhou de volta ao hospital, por volta das 18 horas. A internação só ocorreu por volta das 19h30. Novos exames foram feitos. De madrugada, o quadro clínico de Caroline se agravou e ela foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Às 16 horas da sexta-feira entrou em coma, e no sábado à noite a família foi comunicada de sua morte cerebral.
Edilson Amâncio diz que não sabia da existência de vacinas contra meningite. Acho um absurdo que os postos de saúde não informem a gente da possibilidade de dar este tipo de vacina em clínicas particulares. De acordo com a diretora do setor de Epidemiologia e Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Mara Ribeiro, a vacina contra meningite pneumocócica só deve ser administrada a pedido médico. Em crianças com menos de dois anos de idade a vacina não confere imunidade.
Segundo informe técnico divulgado pela Secretaria de Saúde, a meningite por pneumococo é geralmente grave, com complicações, sequelas e alta taxa de letalidade (entre 10 e 50%). A bactéria causadora é a Streptococcus pneumoniae, que além da meningite é agente causador da pneumonia, sinusite, otite média aguda, endocardite e septicemia.
Mara Ribeiro afirma que a bactéria vive no meio ambiente, e como a meningite pneumocócica não gera surtos, não é passível de bloqueios. O neuropediatra reponsável pelo atendimento de Ana Caroline, Efigênio Sílvio Castro Junior, confirma que tratou-se de um caso isolado.
O médico esclarece que a evolução da meningite bacteriana normalmente é muito rápida, principalmente no caso de crianças e de pessoas debilitadas fisicamente. No caso da meningite pneumocócica, pode ser a evolução de uma infecção primária, como amigdalite e otite, ou não. A gravidade depende de cada organismo.
De acordo com Efigênio Castro, Ana Caroline foi atendida dentro do tempo hábil. Não houve demora no atendimento. A evolução natural da doença foi muito violenta. O médico informou ainda que a garota foi medicada com os antibióticos mais modernos que existem para este tipo de problema.


