Maigue Gueths
De Curitiba
Os quase 700 alunos do Colégio Estadual Professor Algacir Munhoz Maeder, no Bairro Alto em Curitiba, chegaram para as aulas ontem pela manhã e deram de cara com um cartaz em frente ao estabelecimento, avisando: ‘‘Não há como estudar, se com a saúde temos que nos preocupar. Fora meningite.’’ Tratava-se de um protesto, organizado por parte dos estudantes, que recusavam-se a entrar na escola até receber maiores explicações sobre a morte do aluno Jonattan Ferreira Gomes, 15 anos, morador de Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, que faleceu no último dia 6, de meningite meningocócica fulminante. Assustados, os estudantes reclamavam mais explicações sobre a doença, com medo de também serem contaminados.
‘‘Na minha sala só foi uma pessoa da Saúde para avisar que já tinham passado álcool nas carteiras e que se tivéssemos algum sintoma era para entrar em contato com o Distrito de Saúde’’, reclamou Carlos Henrique da Silva Pereira, do 1º ano do ensino médio. Sua colega, Paula Becker, 13 anos, da 8ª série, também participou da manifestação e reclamou da falta de informação. ‘‘Estamos com medo, porque algumas pessoas chegaram a dizer que só se houvesse umas 30, 40 mortes é que alguém iria tomar alguma providência.’’
Com o protesto, a representante do Distrito de Saúde Boa Vista, da Secretaria Municipal da Saúde, Lucimar Magalhães, reuniu os alunos na biblioteca da escola para prestar mais esclarecimentos sobre a doença. Ela lembrou, entretanto, que assim que a unidade teve conhecimento do caso, na última sexta, foram tomadas as medidas de controle à doença. O aluno José Renato Iedel Junior, 15 anos, da 1º ano do ensino médio, confirma que recebeu todas as instruções em sala.
A diretora do Departamento de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Karin Lunh, também afirmou que já foram tomadas as medidas de bloqueio da doença, que consistem na aplicação de medicamentos às pessoas que tiveram maior contato com o garoto. Conforme prevê o guia de Vigilância Sanitária Epidemiológica do Ministério da Saúde, no caso de meningite meningocócica, só os familiares que viviam na mesma residência de Jonattan tiveram que ser medicados, não sendo necessário a aplicação entre os alunos.
Jonattan estudava no 2º ano do ensino médio no período da manhã. ‘‘Na quinta ele veio para a escola, passou mal e nós já ligamos para os pais avisando, como sempre fazemos quando um aluno passa mal’’, disse a vice-diretora da escola Vânia Machado. O garoto foi para casa e chegou a ser internado no Hospital Cajuru, mas morreu na noite de quinta-feira.
Karin Luhn também garantiu que a doença de Jonattan foi um caso is olado e que não há riscos de nenhuma epidemia de meningite na cidade.
Segundo ela, este ano foram registrados oito casos da doença em Curitiba, menos da metade do que no mesmo período de 99, quando houve 17 casos. De qualquer maneira, ela aproveitou para advertir a população, já que os riscos da doença são maiores no inverno, quando as pessoas costumam ficar em locais fechados, pouco ventilados.

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