Mônica Kaseker

Marcelo AlmeidaSorteLucilene Celina, 14 anos, e Kely Aline, 10, foram localizadas pelo Sicride a caminho de Santa CatarinaDuas meninas de Curitiba tentaram repetir a façanha dos garotos que fugiram de casa para ver o mar no Rio de Janeiro, depois de assistirem pela TV a notícia da aventura bem sucedida de Juliano e Miguel. Lucilene Celina Friedrich, 14 anos, e Kely Aline Friedrich, 10, saíram de casa no domingo à noite com destino a Santa Catarina para procurar o pai e foram localizadas anteontem pelo Serviço de Investigações sobre Crianças Desaparecidas (Sicride), em São José dos Pinhais.
Lucilene e Kely estavam sozinhas em casa porque a mãe, Traudi Lenz Friedrich, é plantonista de um hospital à noite. As meninas assistiram a matéria pela TV e resolveram partir para uma aventura em busca do pai, separado há sete anos da mãe delas. Mesmo sem saber o endereço exato, elas partiram em direção a Santa Catarina. O primeiro ponto de parada foi a casa de uma amiga em São José dos Pinhais. Lá as meninas chegaram a ir a um bailão e na terça-feira, quando se preparavam para seguir viagem, foram localizadas pelo Sicride.
O superintendente do Sicride, Renato Ferreira, diz que a fuga foi interrompida no início por sorte, pois a aventura poderia ter tido um final trágico. ‘‘As meninas são muito bonitas, aparentam mais idade e poderiam até ter sido levadas para a prostituição’’, ressalta. Para ele, o caso mostra a repercussão perigosa da fuga com aura de aventura de Juliano e Miguel, que acabaram sendo tratados como heróis.
Ontem, os pais dos garotos ‘fujões’ foram alertados pelo Sicride sobre a responsabilidade penal em casos de abandono. Se Juliano ou Miguel voltarem a fugir os pais podem ser indiciados e até presos. Enia Aretz, 34 anos, mãe de Juliano, e Romão e Maria da Luz da Silva, pais de Miguel, prestaram depoimento ontem no Sicride. Os meninos também estão traçando um roteiro detalhado de como chegaram ao Rio de Janeiro e a polícia pretende investigar quem foram os adultos que os ajudaram durante a viagem. ‘‘Eles também podem ser penalizados’’, alerta o superintendente do Sicride, Renato Ferreira.
O Sicride registrou 89 desaparecimentos de crianças no ano passado no Paraná. Apenas um foi resultado de sequestro. Os demais foram casos de crianças que fugiram de casa, seja para uma aventura, ou por maus tratos e problemas sócio-econômicos da família. A maioria dos fujões têm entre nove e doze anos de idade e foge durante os meses de maior calor, na primavera e no verão.
O único caso não solucionado pelo Sicride foi o do sequestro da menina Kelly Cristina da Silva, de seis anos, no dia 9 de dezembro de 97. Um homem teria abordado Kelly e a irmã de nove anos no quintal da casa delas, na Vila Autódromo, oferecido doces e prometido levá-las ao circo. Uma vizinha viu o homem com Kelly num ônibus e depois fez o retrato falado para a polícia.

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