Marcos Zanatta
De Maringá
A Polícia Militar de Maringá prendeu anteontem o aposentado Lourival Luiz de Siqueira, 60 anos, acusado de ‘‘curandeirismo e lesão corporal’’. Segundo versão da polícia, as menores R.S., 14 anos, e E.C.P, 9 anos, filha adotiva de Siqueira, sofreram queimaduras depois de fazer uma ‘‘simpatia’’ com pólvora, sugerida por ele. A mãe de R.S, Lídia da Silva, conta que, na tarde de sábado, a filha procurou Siqueira, que mora a poucos metros da casa da família e é conhecido como ‘‘benzedor’’. ‘‘Ela queria reatar um namoro que terminou há mais de um mês, e acreditou na simpatia’’, disse.
Seguindo orientação do aposentado a menor escreveu o nome dela e do ex-namorado em uma folha de papel, colocou pólvora sobre o papel e ateou fogo. A pólvora queimou e atingiu as duas meninas. A filha de Lídia teve queimaduras de segundo grau nos dois braços e nas pernas. A filha adotiva de Siqueira queimou o rosto. Lídia acionou a polícia. Ela está revoltada com Siqueira e com o descaso do comerciante que vendeu a pólvora para a filha. ‘‘Não vou falar quem é porque nem sei o que posso fazer, mas quem vende isso para uma criança não tem responsabilidade’’, afirma.
Outra filha de Siqueira, Suemi, disse ontem à Folha que o pai está viajando, e que ele realmente orientou a menor a fazer a simpatia. Ela disse que o pai lê cartas e abençoa as pessoas que o procuram. ‘‘Mas nunca aconteceu nada disso’’, afirmou. Suemi disse ainda que o Conselho Tutelar está com a filha adotiva de Siqueira, porque ele não tinha a adoção legalizada. ‘‘Mas eu e meu marido vamos legalizar tudo’’, disse. Suemi afirmou que estava com a receita da filha de Lídia, e que ainda ontem compraria os medicamentos para a menina.

mockup