Meninas são premiadas
Quem olha as garotas Micaella Beatriz de Carvalho e Laura Camila Silva não imagina a dura rotina de tratamento médico aos quais elas têm que se submeter. As duas são portadoras da forma major da talassemia.
Além de companheiras de tratamento no Hospital Universitário, em Londrina, elas também foram premiadas na 7 edição do concurso de desenho ''Guerreiros do Ferro'', realizado pela Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta). Micaella ficou em segundo lugar na categoria 4 a 8 anos e ganhou uma boneca. Laura foi classificada em terceiro na categoria 12 a 15 anos e foi premiada com um celular. O concurso é realizado como forma de estimular a realização da quelação do ferro.
''Quando Laura nasceu, nós nem desconfiamos que ela pudesse ser portadora de uma doença tão grave. Ela era um pouco pálida, mas nem meu marido nem eu sabíamos que éramos portadores da forma traço da talassemia'', conta a dona de casa Rosângela Dias de Souza, moradora de Florestópolis (Norte).
Com o desenvolvimento da doença, a menina passou a ter infecções e febres. ''Ela acabou sendo internada às pressas para tomar sangue, mas o diagnóstico era de linfoma. Laura já tinha quase 1 ano'', explica Rosângela. No HU foram feitos mais exames e o diagnóstico de talassemia major saiu quando Laura tinha quase três anos de idade.
''Hoje ela faz transfusões periodicamente e há três anos toma o comprimido para quelação. É bem difícil essa rotina, mas hoje procuro não pensar mais nisso. Ela leva uma vida normal, se desenvolve bem, apesar das dificuldades que teve no crescimento até o diagnóstico final.''
Desenvolvimento
A família da londrinense Micaella, oito anos, descobriu que a menina era portadora da talassemia major com o teste do pezinho. ''Eu sabia que era portadora da forma traço da doença, mas jamais imaginaria que meu marido também fosse'', explica Rosilaine Morais Carvalho, mãe da garota.
A primeira transfusão precisou ser feita por volta dos cinco meses de idade, quando Micaella começou a apresentar taquicardia e palidez. Como o tratamento foi feito desde o início, Micaella não apresentou nenhum problema de desenvolvimento, mas mesmo fazendo quelação apresenta acúmulo de ferro no pâncreas e fígado.
Rosilaine conta que pensa no transplante, mas pondera devido aos riscos do procedimento. A surpresa vem de Micaela, que passou a falar sobre o assunto, desejando se submeter ao procedimento. ''Acho que o transplante é a alternativa para quem não tem alternativa, mas fico também preocupada com as transfusões. A cada três meses ela tem que fazer a sorologia, sempre fico apreensiva'', explica a mãe. (E.G.)





