Meninas rodam 50 mil km pelo perímetro do País
Curitiba
Kraw PenasViagemMariana, Alessandra e Flávia: belezas do Nordeste, desafios da Amazônia e exuberância do PantanalSe alguém contar que três estudantes paulistanas chegaram num carro importado numa cidadezinha do interior do Piauí, chamada Águas Belas, e pouco tempo depois foram expulsas de lá pelo delegado porque fotografavam corpos de assaltantes mortos pela polícia em um tiroteio, o mínimo que se pode imaginar é que trata-se de uma cena de um filme de ação. Mas não é. O episódio foi um dos momentos mais marcantes da viagem que Alessandra Peixoto, Flávia Renault, ambas de 25 anos, e Alessandra Pimenta, 22 anos, estão fazendo há nove meses por todo o contorno do Brasil. Em Curitiba desde segunda-feira, elas partem hoje para a última etapa da viagem - vão para o interior de São Paulo - que começou dia 3 de dezembro do ano passado e termina no próximo dia 25. Será um dos dias mais felizes das nossas vidas, disse Alessandra.
Com um gosto comum por viagens, as três começaram a planejar a aventura, denominada Projeto Contornos, em junho de 1995. A fase de planejamento, que durou 14 meses, contou com cursos preparatórios de primeiros socorros, mecânica e busca de informações com pesquisadores e aventureiros sobre os locais por onde iriam passar. Quando chegarem em São Paulo, no próximo dia 25, elas terão percorrido cerca de 50 mil quilômetros, que incluem as belezas do Nordeste, os desafios da Amazônia, a fauna e flora exuberantes do Pantanal Matogrossense e as delícias culinárias das Serra Gaúcha.
Para idealizar a viagem, Alessandra, Flávia e Mariana tiveram que batalhar muito. Além de terem que convencerem suas famílias, que no início duvidavam da coragem das três, elas correram atrás de patrocínio de várias empresas e conseguiram juntar os R$ 230 mil necessários para custear o projeto. O carro, uma station wagon com tração nas quatro rodas, foi cedido pela Subaru. Realizar o sonho também exigiu que elas trancassem as matrículas na faculdades - Alessandra estuda jornalismo e Flávia e Mariana, artes plásticas. Mas tudo valeu a pena, porque estamos atingindo o nosso objetivo, que era conhecer a costa brasileira, frisou Flávia.
Para atingir o objetivo, as aventureiras passaram por algumas situações complicadas. Além de terem que fugir do tiroteio no Piauí, elas tiveram que tomar banho com uma cobra saindo pelo ralo, também no Piauí; passar por estradas alagadas na Amazônia e fugir da perseguição de um bêbado em Natal (RN). Por outro lado, fizemos inúmeras amizades, conhecemos lugares fantásticos e nos educamos quanto às regras de convivência, diz Mariana.
Toda a experiência das três estudantes está registrada em mais de 500 filmes fotográficos, 135 fitas de vídeo e em um lap top. A idéia das três é escrever um livro e produzir materiais que ilustrem futuras palestras que elas pretendem fazer sobre a aventura. Para elas, a experiência está sendo tão válida que já estão planejando uma outra viagem de carro ao Exterior para daqui a dois anos.





