Meninas devem ser alvo de campanhas
O principal objetivo da pesquisa foi alertar os responsáveis pelas políticas de saúde e educação sobre os riscos que os adolescentes estão correndo. Concluída a tabulação dos questionários aplicados, os médicos ficaram preocupados sobretudo com os adolescentes do sexo feminino e apontam que as campanhas de orientação precisam estar focadas nesse grupo.
O médico Fernando José Felipe de Paula diz que mesmo estando repletos de informações sobre métodos contraceptivos e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), os adolescentes querem saber mais sobre outros aspectos da sexualidade. Nossa pesquisa mostra que 49% das adolescentes acharam suas primeiras experiências sexuais piores do que esperavam ou horríveis, elas se protegem menos que os homens por confiar em seus parceiros, adquirem mais DSTs e ainda acham que têm menor probabilidade de adquirir essas doenças no futuro, explica ele.
Isso tudo indica que elas não estavam preparadas (para manter relações) e uma adolescente que começa errado tem muito mais chances de tornar uma mulher frustrada sexualmente amanhã, completa. A saída é falar mais abertamente sobre sexo, explicando todos os aspectos que envolvem uma relação sexual.
Seu colega, o médico Olavo Franco Filho, que coordenou a abordagem quanto ao uso de drogas, aponta que a droga normalmente é adquirida e consumida no círculo de amizades do adolescente. O médico compara que em São Paulo, por exemplo, os adolescentes conseguem drogas preponderantemente em favelas.
Embora a pesquisa aponte que as classes mais baixas (C e D) consomem menos drogas como fumo e álcool, Franco Filho diz que não chega a ser um fator que chame a atenção. Quanto ao consumo de bebida alcoólica, por exemplo, ele cita que é muito mais importante saber quanto bebem do que qual bebida estão ingerindo.
O secretário municipal de saúde, Silvio Fernandes, antecipou que a pesquisa pode alterar o andamento de algumas políticas, como o Programa Saúde da Família. Uma ação provável será a abordagem mais setorizada desse programa. A pesquisa foi útil porque mostrou que o jovem precisa de muito mais orientação sobre estes temas, finalizou.





