Paulo Pegoraro
Exames toxicológicos feitos em amostras de sangue das quatro garotas que morreram em março em uma piscina em Cascavel mostram que não há presença de drogas em nenhuma delas. O resultado apresentado ontem serviu para acalmar os pais de Juliana da Silva e sua prima Jackeline da Silva, ambas de 13 anos, e Franciele Santos e Eva Biagi, ambas de 12 anos. Eles exigiam o resultado, pois havia especulações de que elas pudessem ter usado, ou sido forçadas a usar, algum tipo de droga com efeito letal. O laboratório da Secretaria de Segurança, em Curitiba, que fez os exames, demorou três meses para fornecer o resultado, alegando que seus equipamentos estavam com problemas. A demora provocou protestos das famílias.
Os laudos apresentados pelo delegado Walter Paes Diniz, da 15ª Subdivisão Policial (SDP), depois de anotações feitas pelo legista Alexandre Galvão Bueno, indicam que apenas uma das meninas havia ingerido pequena quantidade de bebida alcoólica. Segundo os dois, esta não foi a causa determinante de uma das mortes. ‘‘No máximo, podemos imaginar que a garota que havia bebido um pouquinho tenha se sentido mal, as outras tentaram socorrê-la e então todas se afogaram’’, disse o delegado. Na tarde de 12 de março Juliana, Jackeline, Franciele e Eva faltaram as aulas no Colégio Polivalente para ir a uma piscina, no bairro Cancelli (zona norte), onde os proprietários cobravam R$ 2,00 de cada frequentador.
Aires Pereira, 60 anos, e a esposa Lídia, 56 anos, donos da piscina, disseram que as garotas chegaram e permaneceram sozinhas no local e que não viram ou ouviram nada de anormal, como gritos de socorro, porque a moradia deles fica nos fundos do terreno. Os corpos foram encontrados boiando. A Polícia encontrou na beira da piscina uma lata de cerveja e salgadinhos, vômito espalhado e firmou a convicção de que elas morreram asfixiadas pelo afogamento. O casal Pereira foi denunciado pelo promotor Luiz Eduardo Albuquerque no crime de homicídio culposo (não intencional), punível com três anos de reclusão, multiplicados pelo número de mortes, porque teriam sido negligentes. Não havia sequer uma bóia na piscina.
As famílias do vendedor Florisvaldo da Silva, 45 anos, do mecânico Orestes da Silva, 41 anos, do pedreiro Francisco dos Santos, 45 anos, e do vigia Valdecir Biagi, 37 anos, respectivamente pais de Juliana, Jackeline, Franciele e Eva, nunca se conformaram com a tese do afogamento múltiplo. Segundo os pais, embora elas não fossem hábeis nadadoras, eram acostumadas a se banhar em riachos. Eles estavam dispostos até a pedir a exumação dos corpos, mas acabaram se conformando com o resultado conclusivo apresentado ontem.
Segundo o legista Alexandre Galvão Bueno, o exame do sangue de uma das garotas indicou a presença de 2,14 gramas de álcool por litro de sangue, ‘‘o que é inexpressivo’’. O delegado Walter Diniz acrescentou que ‘‘não foi uma causa fundamental para a morte’’. O resultado dos exames será agora anexado ao inquérito que está na Justiça. A piscina está interditada.Amostras de sangue das quatro estudantes que morreram em piscina de Cascavel em março deste ano não continham tóxico
Edson MazzettoFim das especulaçõesOs resultados dos exames nas amostras de sangue foram divulgados ontem pelo delegado Walter Paes Diniz

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