Menina vai ficar com os tios, diz juíza
A juíza da Vara de Família, Menores e Infância de São José dos Pinhais, Amélia Cordeiro Lopes, decidiu no final da tarde de quinta-feira que a menina Vanessa, de 2 anos, ficará com os tios dela, o pedreiro Roberto Rodrigues Ramos, 36, e a doméstica Maria Júlia Moreira Lopes, 36. Vanessa estava sob custódia do Conselho Tutelar desde o dia 10 de junho, quando os tios denunciaram que ela teria sido vendida por R$ 30,00 pelo pai, o desempregado Ivanildo Rodrigues Ramos, 26 anos, ao comerciante José Júlio dos Santos, 65 anos.
O serviço técnico da Vara de Família promoveu esta semana uma inspeção na casa dos tios de Vanessa. O relatório considerou que Roberto e Maria têm condições de criar a menina. A juíza Amélia Lopes determinou que o casal fique com a guarda provisória durante um ano. Nos próximos seis meses, uma psicóloga e uma assistente social vão monitorar se Vanessa está sendo bem assistida na casa dos tios.
Revoltado, o comerciante José Júlio dos Santos disse ontem que pretende reaver Vanessa. O advogado Daniel de Carvalho, que defende Santos, impetrou na segunda-feira no Fórum de São José dos Pinhais um pedido de guarda e responsabilidade da criança. Carvalho sustenta que a menina foi abandonada pelo pai e estava em condições precárias de saúde quando foi deixada na casa de Santos. Ninguém cometeu crime nenhum e houve a intenção humanitária de adotar uma criança, disse.
Vanessa foi tirada da casa dos tios no dia 10 de junho pelo pai, Ivanildo, que está desaparecido. Ele teria levado Vanessa até a residência de Santos e doado a criança, alegando que não tinha condições de criá-la. Ele assinou uma declaração, confirmando a decisão. Segundo o comerciante José Júlio dos Santos, Ivanildo pediu R$ 30,00 emprestados que seriam usados numa viagem a Campo Mourão, onde moram seus pais. Os tios garantem que o dinheiro foi resultado da transação envolvendo Vanessa.
Sem compreender ainda a polêmica disputa, Vanessa retornou ao convívio dos tios e do primo Alex, de 14 anos, filho único de Roberto Rodrigues Ramos. Tinha medo de perdê-la. Não foi fácil, mas consegui, comemorou Roberto, que a chama pelo apelido de Pipoquinha. Ele teme que o irmão apareça para raptar a menina e tentar vendê-la novamente. Já disse pra ele que a menina agora é minha filha. Fui à Justiça e graças a Deus ganhei a questão, declarou. Nas duas semanas que passou longe de Vanessa, Roberto lembrou que sem ela ficou um vazio aqui em casa.Albari RosaVolta para casaO pedreiro Roberto Rodrigues Ramos, que agora detém a guarda legal da sobrinha Vanessa (no colo), e o filho Alex: Não foi fácil, mas consegui. Ele teme que o irmão apareça para raptar a menina e tentar vendê-la novamente. Já disse pra ele que a menina agora é minha filhaDimitri do Valle





