Menina morre após ter alta no hospital
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de junho de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Cambé A Polícia Civil de Cambé investiga a morte de Camila Sabadini, 8 anos, que faleceu dentro da Santa Casa do município, anteontem, logo após receber alta. Como a causa da morte foi classificada de ''desconhecida'' no atestado de óbito, o delegado Valdir Abrahão determinou - mediante autorização da família - que o corpo fosse retirado do velório para ser submetido a uma necrópsia no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. ''Quando o paciente recebe alta, presume-se que não precise de atendimento médico. Os fatos são estranhos e precisam ser apurados'', justificou.
Segundo a tia de Camila, Elizabeti Delioli Sabadini, a menina tinha reclamado de dores musculares no domingo, depois de participar de uma apresentação de dança. Levada à Santa Casa pelos pais, foi medicada e voltou para casa. Como a dor retornou na segunda-feira, ela regressou ao hospital e foi internada.
No dia seguinte, depois de ter sido submetida a exames de sangue, urina e raio-x, que identificaram apenas uma leve infecção urinária, a menina foi liberada. Antes de ir embora, entretanto, passou mal e acabou morrendo. ''Eles disseram que a causa foi desconhecida. Isso que causou revolta'', afirmou a tia, acrescentando que a família registrou um boletim de ocorrência.
Elizabeti informou que Camila havia tomado uma injeção às 15 horas, duas horas antes de morrer. Contou, também, que a mãe da menina saiu do quarto para telefonar ao marido e, quando retornou, viu a filha caída no chão, passando mal. ''Só queremos saber a causa da morte'', reforçou.
O diretor técnico da Santa Casa, José Walter Dias, afirmou que Camila foi vítima de morte súbita. ''Na medicina, existem inúmeros casos de óbitos sem explicação, que denominamos morte súbita'', explicou. Ele relatou que na manhã de anteontem, Camila estava comunicativa e sem dor, tendo almoçado normalmente. A paciente só permaneceu no hospital para aguardar o resultado dos exames.
''Enquanto a mãe foi dar um telefonema, a menina se dirigiu à maca e teve o mal súbito. Ela caiu antes de subir na maca. O laudo macroscópico do IML não apontou lesões'', afirmou, reforçando que Camila foi entubada, recebeu adrenalina e todos os outros procedimentos de emergência. ''Mas não revertemos o caso.'' O diretor técnico revelou que o mesmo medicamento (analgésico associado a anti-inflamatório) ministrado no dia da morte, já havia sido aplicado na segunda-feira, o que afastaria a possibilidade do óbito ter sido causado pelo remédio.
De acordo com o responsável pela administração do IML, Fernando Piccinin, a necrópsia no corpo da garota foi realizada no final da manhã de ontem. Foram coletadas amostras anatopatológicos e toxicológicos, que seriam enviadas ao Laboratório Central em Curitiba. Os resultados ficam prontos em 30 dias. ''Previamente, nada foi constatado. Só depois da análise dos exames poderemos definir a causa da morte'', disse.
Camila era filha de uma dona-de-casa e de um serralheiro. Ela tinha um irmão de quatro anos e, segundo familiares, nunca apresentou problemas graves de saúde. O enterro foi ontem, às 17 horas, em Cambé.


