Menina morre após apanhar de padrasto
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sexta-feira, 04 de julho de 2008
Cláudia Palaci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma criança de dois anos e meio morreu na noite de anteontem no município de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), depois de ser agredida pelo padrasto, José Carlos da Silva, que confessou o crime após ser preso em flagrante. A mãe de Amanda Orbach Pereira, Janete Aparecida Orbach, também foi presa. Os dois são acusados de homicídio doloso.
José disse à imprensa que se descontrolou com o choro da enteada e descarregou a impaciência nela. ''Eu dei um murro na cabeça e ela caiu desacordada. Estou arrependido e minha desgraça foi ter conhecido a Janete.'' O casal está junto há dois meses e troca acusações. ''Ele batia nela sempre'', disse a mãe, que contou ter chegado em casa por volta das 19 horas e ter encontrado a menina chorando. ''Ele estava penteando o cabelo dela e de repente a puxou pelos cabelos e a jogou no sofá. Eu comecei a gritar para defendê-la e ele bateu em mim e em seguida nela.'' O padrasto rebate e diz que a enteada era tratada com violência pela mãe. ''Eu batia apenas para educar usando chinelos e por duas vezes uma varinha'', relatou Janete.
Amanda deu entrada no pronto-socorro por volta das 20 horas, levada pelos dois. O casal disse no local que a menina havia caído da cadeira. ''Essa história foi inventada pela Janete'', disse José Carlos. A polícia foi acionada uma hora e meia mais tarde pelos profissionais do atendimento porque eles encontraram marcas antigas no corpo da menina. ''Não se sabe se a criança morreu em casa ou no trajeto, porque ao ser examinada ela já estava morta'', relatou a delegada do caso, Márcia Rejane Marcondes, da delegacia do Alto Maracanã. A mãe será transferida para a unidade feminina de Quatro Barras e o padrasto para o Centro de Triagem 2, em Piraquara.
De acordo com o vizinho e proprietário da casa alugada pelo casal, José Lourenço da Silva, ''a mãe errou ao deixar a menina com o padrasto porque ele não gostava dela'', opina. Ele contou que ouvia a criança apanhando de vez em quando. José Carlos trabalhava na mesma empresa que Janete e fazia bicos após o expediente como segurança. Na casa do casal a polícia encontrou um revólver 38, que teria sido comprado ilegalmente pelo padrasto.
Na tarde de ontem uma irmã de Janete reconheceu e liberou o corpo da criança no Instituto Médico Legal (IML). O laudo médico confirma que a causa da morte foi traumatismo craniano.


