Albari RosaSaúde colhe amostras da água do rio onde Flávia contaminou-seUm banho de rio foi o suficiente para a estudante Flávia Estafanim dos Santos, 9 anos, ter contraído a cólera. Tímida e abatida com as sequelas da doença, Flávia confessa que nunca mais vai pensar em tomar banho no rio Anhaia, que passa em frente a sua casa, na Vila Guarani. Tanta ela, como as outras crianças e adultos do bairro não têm como escapar da água repleta de dejetos do rio Anhaia. Quando a maré sobe, as águas poluídas invadem os terrenos das casas ribeirinhas.
O auxiliar de serviços gerais Júlio Carvalho dos Santos, 43 anos, que é pai da estudante, disse que mora há 20 anos na vila. Apesar de conviver com a poluição diariamente na porta de casa, Júlio confessou ser a primeira vez que um dos seus cinco filhos fica doente por causa do contato com a água do rio. Chegar a casa de Santos só é possível de canoa ou, na pior das alternativas, caminhando dentro da água. No dia 19 de março, João percebeu que a filha não estava bem. ‘‘Desconfiei de alguma coisa. Ela estava meio pálida e pensamos que íamos perdê-la’’, lembrou Santos.
Mesmo sem saneamento básico, as casas situadas às margens do rio Anhaia tem água encanada e luz elétrica. Os mangues alagados ao redor das construções mais humildes revelam que grande parte do lixo que é despejado pelos córregos da cidade vai para na foz do rio com o canal do porto. Os dejetos provocam forte mau-cheiro no ar. ‘‘Se eu pudesse, mudava para outro lugar’’, diz Júlio. Um dos assuntos que circulam na comunidade é a possibilidade da empresa Fospar remover cerca de 20 famílias do local. (D.V.)

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