A estudante Aline da Silva Haura, de 10 anos, teve morte cerebral confirmada ontem pelo Hospital Infantil de Londrina. Ela foi agredida a golpes de martelo desferidos pela mãe na tarde de anteontem, em Cambé (13 quilômetros de Londrina). A família de Aline autorizou a doação dos órgãos da garota. A mãe dela, Claudete Fernandes da Silva, 28 anos, está internada numa clínica psiquiátrica e será indiciada por lesão corporal grave seguida de morte.
A criança teve afundamento de crânio e perdeu massa encefálica. Ela chegou a ser operada na noite de anteontem, mas seu estado de saúde era muito grave. Além de agredi-la com o martelo, a mãe também tentou enforcá-la com arame. Depois disso, Claudete fugiu se embrenhando num matagal próximo ao bairro Jardim Manela, onde a família mora.
Ontem, ao saber da morte cerebral de Aline, o pai da menina, Teodoro Aparecido Haura, autorizou a doação dos órgãos da criança. A Folha apurou que os exames clínicos realizados na garota constataram que apenas as córneas e as válvulas do coração teriam condições de serem transplantadas.
De acordo com as investigações da Polícia Civil de Cambé, Claudete apresenta distúrbios mentais. Ela foi encontrada ontem pela família na zona rural de Londrina e encaminhada para a Clínica Psiquiátrica de Londrina, no bairro Shangri-lá. Se for condenada pela morte da filha, Claudete pode pegar de 4 a 12 anos de prisão.
O especialista em violência domiciliar contra a criança e o adolescente, Paulo Negri, do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), da Universidade de São Paulo (USP), esteve ontem em Cambé e conversou com os vizinhos da família de Aline. Segundo ele, os vizinhos disseram que a mãe da menina perdia o controle com a mínima travessura da criança e sempre ameaçava matá-la.
‘‘Se alguns indicadores no comportamento da criança tivessem sido analisados, talvez essa tragédia pudesse ser evitada. Normalmente, a criança apresenta um comportamento que denuncia que ela vive sob ameaça de morte’’, explicou.

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