Luciana Pombo
Um dos exemplos típicos de agressão familiar foi apresentado ontem pela Polícia Civil. O motorista desempregado Sérgio Rodrigues dos Santos, de 45 anos, foi preso em flagrante, acusado de atentado violento ao pudor contra a neta adotiva G.S.O., de apenas 3 anos. Ele morava com a avó legítima da criança, que trabalha como doméstica e passava as tardes fora de casa. A menina, que mora com a mãe no mesmo bairro, passava as manhãs numa creche e durante a tarde era levada para a casa da avó. A mãe trabalha numa escola como auxiliar de professora e chegava em casa sempre à noite.
Casos como este são comuns. Só no mês passado, o Serviço SOS Criança, da Prefeitura de Curitiba, atendeu 253 ocorrências de agressão contra crianças, 40% a mais do que o registrado no início do ano. Os casos mais graves de agressão, de acordo com os dados apresentados, acontecem dentro de casa. Entre as violências mais comuns estão os conflitos familiares, a violência sexual, a negligência familiar e a agressão física.
Segundo o delegado adjunto do 13º distrito policial, Antônio Procopiak Neto, o caso da menina G.S.O. foi denunciado à polícia por um vizinho que estava desconfiado dos abusos sexuais. O vizinho chegou a ver os abusos cometidos por Santos por uma fresta na porta da casa, no bairro do Tatuquara, em Curitiba.
A menina foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer o exame de conjunção carnal, o que também caracterizaria estupro. ‘‘Estamos desconfiados que além das carícias que eram feitas, o avô tenha também estuprado a garota, que apresentava sinais de violência no órgão sexual’’, adiantou o delegado. O laudo do IML deverá ficar pronto em uma semana.
Antônio Procopiak já abriu inquérito policial e está ouvindo as primeiras testemunhas do caso. Ele pretende encerrar o inquérito no prazo de dez dias. Enquanto o inquérito estiver em andamento, Santos deverá permanecer preso. Para estes tipos de delitos, o Código Penal não prevê o pagamento de fianças. De acordo com o delegado, se condenado, Santos poderá pegar uma pena que varia entre seis e dez anos de reclusão.

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