Célia Baroni
De Londrina
Os pais de Carla Fernanda Egídio, de três anos e um mês, ganharam um presente de Natal antecipado. No início da tarde de ontem, a menina caiu em um buraco de 4,5 metros de profundidade, escavado para fundação de uma casa, em um terreno vizinho ao de sua casa, no jardim Mônaco, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). E, apesar da gravidade do acidente, ela passa bem.
A competência dos bombeiros, a ‘‘proteção do anjo da guarda’’ e uma boa dose de sorte evitaram que o acidente se transformasse em uma tragédia. Carla Egídio foi resgatada uma hora e meia depois do acidente.
Encaminhada ao hospital João de Freitas, a menina deverá ficar internada até hoje, em observação. O clínico-geral Fábio Roberto Bora informou que, apesar de apresentar várias escoriações, principalmente nos braços e pernas, o quadro geral da menina é bom.
Carla Egídio foi examinada por uma equipe multidisciplinar, passou por exames neurológicos e tirou chapas de raio X de todo o corpo. ‘‘Ela está falante, lúcida e orientada. O internamento é necessário, mas é mais uma precaução’’, esclareceu o médico.
Cerca de 200 pessoas acompanharam o trabalho de resgate. Ao todo, seis homens do Corpo de Bombeiros (quatro estavam de plantão e dois se apresentaram como voluntários) trabalharam na operação. A equipe contou ainda com a ajuda técnica de dois especialistas em cavar poços; dois policiais militares e dois socorristas.
A grande sorte de Carla Egídio foi ter sido vista por um transeunte quando brincava no terreno. A pessoa viu a menina caindo no buraco e alertou imediatamente os vizinhos. No terreno preparado para a construção, os buracos para os alicerces estavam descobertos e sem nenhuma proteção.
‘‘Se ela não tivesse sido vista, a busca seria muito difícil e as possibilidades de encontrá-la com vida seriam pequenas’’, afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros de Arapongas, capitão Dario Natan Bezerra. O buraco é estreito e profundo – tem apenas 20 centímetros de diâmetro e 4,5 metros de profundidade.
Capitão Natan explicou que a falta de ar no fundo do buraco e o medo fazem com que a pessoa perca as forças rapidamente. Quanto mais tempo demora o socorro, disse, menos barulho a vítima faz, ficando mais difícil de encontrá-la.
Segundo capitão Natan, a pequena largura do buraco ajudou a menina a não sofrer ferimentos mais graves. Ela caiu em pé e como o buraco era estreito, seu corpo acabou deslizando até o fundo, reduzindo o impacto.
O comandante informou que este tipo de acidente é comum. Alerta que galerias, poços ativos e desativados abertos são um perigo para pessoas e animais.

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