Lucinéia Parra
De Maringá
A estudante S.A.R., 12 anos, foi submetida anteontem a uma cesariana e teve uma menina que nasceu com 2,8 quilos e 47 centímetros. A família de S.A.R. acusa o vizinho, um aposentado de 66 anos, de ser o pai do bebê. Ele nega a paternidade, mas o caso foi parar na Delegacia da Mulher de Maringá. S.A.R. teve a filha no Hospital Universitário de Maringá (HUM). Desde os cinco meses de gravidez ela recebe acompanhamento de psicólogos do Conselho Tutelar da Criança e Adolescente.
De acordo com a avó de S.A.R., Maria da Conceição da Silva Rodrigues, 57 anos, a neta, que mora com ela, escondeu a gravidez até os cinco meses. ‘‘A minha vizinha e eu começamos a desconfiar antes, mas a gente sempre perguntava o que estava acontecendo e ela dizia que não era nada.’’
Maria da Conceição contou que, mesmo antes da confirmação da gravidez, chegou a procurar o aposentado. ‘‘De repente os vizinhos começaram a falar que ele era o namorado da minha neta. No mesmo dia que ouvi isso, fui falar com ele e pedir que parasse de procurar a minha neta. Só que neste dia ela já estava grávida e ninguém sabia.’’
A vizinha Odete Pereira dos Santos, 44 anos, foi quem primeiro desconfiou da perseguição do vizinho. Ela conta que viu por diversas vezes ele esperar S.A.R. na esquina, momentos antes dela ir para a escola. ‘‘Eu via quando ele chamava ela e depois a levava para um mato que tem aqui perto’’, relatou. Odete, que afirma ter acompanhado o crescimento de S.A.R., diz que chegou a falar com o vizinho e que ele teria dito que considerava a menina como neta dele.
Em março deste ano, tanto a avó como a vizinha desconfiaram da gravidez da menina devido o crescimento dos seios dela. Para a avó, ela não disse nada, mas para Odete S.A.R. teria confessado que tinha tido relação com o vizinho e que ele costumava dar entre R$ 1,00 e R$ 2,00.
‘‘Ela falou que ele a levava no mato e também em uma casa em construção do filho dele, que fica bem próximo daqui. Ela disse que ele tapava a boca dela para ela não gritar durante o ato sexual e pedia para não contar nada para ninguém’’, contou Odete. ‘‘Ela jamais se envolveu com outros rapazes’’.
Diante do relato da menina, a família quer agora que o vizinho pague uma indenização por danos morais e traumas causados à menor. ‘‘Quero que ele pague uma indenização porque minha neta vai ficar traumatizada pelo resto da vida’’, disse a avó. Além disso, Maria da Conceição quer que o vizinho admita a paternidade e pague uma pensão alimentícia.
Maria da Conceição mora com o marido, seis filhos e cinco netos. Três filhos dela são menores e os outros três estão desempregados. O marido é servente de pedreiro e ganha R$ 10,00 por dia. ‘‘Está muito difícil. Agora será mais difícil ainda porque vou ter que criar a minha bisneta’’. S.A.R. recebe alta do hospital no sábado.

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